O julgamento de Humberto Gama, conhecido durante décadas como “padre Gama”, começa esta terça-feira, 12 de maio, no Tribunal de Vila Real, colocando no banco dos réus uma das figuras mais controversas do distrito transmontano. Aos 82 anos, o antigo sacerdote, excomungado pela Igreja Católica em 1979, responde por um conjunto de crimes graves alegadamente praticados sob o pretexto de rituais de exorcismo.

Segundo a acusação, o arguido enfrenta crimes de burla qualificada, usurpação de funções em forma continuada, violação agravada e coação sexual. O Ministério Público sustenta que Humberto Gama terá continuado, durante décadas, a apresentar-se publicamente como sacerdote e exorcista, apesar de ter sido afastado da Igreja há mais de 40 anos.

O caso centra-se numa denúncia apresentada em 2021 por uma mulher de 47 anos, que acusa o ex-padre de a ter violado durante uma alegada sessão de exorcismo realizada em Murça. De acordo com a investigação, o arguido terá usado a vulnerabilidade psicológica e espiritual da vítima para obter controlo sobre ela, recorrendo à autoridade religiosa que continuava a exercer junto de fiéis e seguidores.

A dimensão mediática do processo intensificou-se devido ao passado controverso de Humberto Gama. Figura conhecida em Trás-os-Montes pelas práticas de exorcismo e alegados “rituais de cura”, o antigo sacerdote foi expulso da Igreja Católica em 1979, numa decisão rara e de elevado impacto à época. Apesar disso, continuou durante décadas a receber pessoas que o procuravam em busca de aconselhamento espiritual, libertação de males e fenómenos considerados sobrenaturais.

Durante a fase de inquérito, Humberto Gama chegou a estar em prisão preventiva. No entanto, viria mais tarde a ser libertado por decisão do Tribunal da Relação, aguardando agora julgamento em liberdade.

O processo será julgado por um tribunal coletivo no Tribunal de Vila Real, estando previstas várias sessões ao longo das próximas semanas. A expectativa em torno do caso é elevada, não apenas pela gravidade das acusações, mas também pelo debate que reabre sobre manipulação espiritual, falsas práticas religiosas e abuso de pessoas em situação de fragilidade emocional.

A Redação

Foto: DR

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