Festival Aldeia de Lobos voltou a reunir centenas de visitantes e destacou Fafião como exemplo de conservação da natureza, promoção da cultura e desenvolvimento sustentável
A aldeia de Fafião, no concelho de Montalegre, voltou a afirmar-se como um dos principais palcos nacionais da valorização do património natural e cultural com mais uma edição do Festival Aldeia de Lobos, iniciativa que, ao longo de dois dias, reuniu centenas de visitantes em torno da natureza, das tradições e da convivência entre o Homem e o lobo-ibérico.
Integrado na paisagem única do Parque Nacional da Peneda-Gerês, o festival apresentou um programa diversificado, com caminhadas interpretativas, tertúlias, exposições, animação cultural e atividades para todas as idades, reforçando a identidade de um território que transformou a coexistência secular com o lobo numa marca distintiva e num exemplo de desenvolvimento sustentável.
Durante o certame, a presidente da Câmara Municipal de Montalegre, Fátima Fernandes, destacou o trabalho desenvolvido pela Associação Vezeira de Fafião e pela comunidade local na promoção do território, considerando o festival um exemplo de valorização da identidade barrosã, dos produtos endógenos e da cultura local.
A autarca sublinhou que o sucesso da iniciativa resulta da capacidade da comunidade para mobilizar parceiros e unir esforços em torno de um objetivo comum. “Quero dar os parabéns à Associação Vezeira de Fafião e a toda a comunidade, que são um exemplo na promoção do território. Conseguem agregar, articular, promover e somar esforços em torno daquilo que melhor nos identifica. O sucesso deste festival demonstra que é possível valorizar os nossos produtos endógenos, a nossa cultura e a nossa história, criando novas oportunidades para a população”, afirmou.
Fátima Fernandes salientou ainda que Fafião soube transformar uma realidade historicamente associada ao receio dos pastores numa oportunidade de afirmação territorial, conciliando a conservação da biodiversidade com o desenvolvimento local. “O lobo faz parte desta história e desta paisagem. Hoje, essa convivência é também um exemplo de como a preservação da natureza pode gerar conhecimento, atratividade e novas oportunidades para a comunidade”, referiu.
Um dos momentos centrais do festival foi a tertúlia “Territórios com Futuro”, dedicada ao papel do pastoreio extensivo na gestão do fogo e no restauro ecológico. Especialistas, investigadores, técnicos e pastores debateram a importância desta prática ancestral na preservação da paisagem, na proteção da biodiversidade e na prevenção dos incêndios rurais, defendendo o seu reconhecimento como ferramenta essencial para aumentar a resiliência dos territórios perante as alterações climáticas.
A sessão reforçou a ideia de que o conhecimento tradicional, aliado à ciência e à cooperação entre comunidades e instituições, constitui um dos pilares fundamentais para garantir um futuro mais sustentável para os territórios rurais.
Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR


























