Um investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) identificou uma nova espécie de planta fóssil com cerca de 303 milhões de anos, no âmbito do estudo de uma coleção histórica pertencente aos Serviços Geológicos de Portugal, atualmente à guarda do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG).
A descoberta, agora divulgada após publicação numa revista científica internacional da especialidade, resulta do trabalho desenvolvido pelo paleontólogo Pedro Correia, em colaboração com investigadores internacionais, nomeadamente Zbynĕk Šimůnek, dos Serviços Geológicos da República Checa, e Zélia Pereira, investigadora do LNEG.
O fóssil, pertencente a uma planta primitiva do período Paleozoico Superior, foi identificado como uma nova espécie de feto extinto e recebeu a designação Cyathocarpus felicianoi, em homenagem ao geólogo José Feliciano, ligado ao LNEG.
Segundo os investigadores, o exemplar estudado corresponde a um holótipo originalmente descrito na década de 1940 por Carlos Teixeira, uma figura de referência na geologia e paleobotânica em Portugal. O material integra uma importante coleção paleobotânica que permaneceu durante décadas praticamente esquecida em arquivo, apesar do seu elevado valor científico.
As amostras em causa têm origem em campanhas de prospeção mineira realizadas na década de 1930, em zonas como São Pedro da Cova e Midões, no contexto da avaliação dos recursos carboníferos da Bacia Carbonífera do Douro. Os fósseis foram recolhidos durante operações de sondagem e preservados no âmbito dessas campanhas, tendo sido posteriormente armazenados em instalações do então Serviço de Fomento Mineiro.
Com o passar do tempo, o espólio acabou por ser transferido para São Mamede de Infesta, onde ficou guardado durante décadas, praticamente sem estudo aprofundado. Só recentemente a coleção voltou a ser alvo de análise sistemática.
Nos últimos dois anos, o trabalho liderado por Pedro Correia permitiu reavaliar o conjunto de espécimes e reconhecer a existência de uma espécie até agora desconhecida para a ciência, contribuindo para uma melhor compreensão da diversidade de fetos da ordem Marattiales no final do período Carbonífero.
Para os investigadores, esta descoberta reforça a importância das coleções de história natural enquanto arquivos científicos fundamentais, capazes de continuar a gerar conhecimento relevante muitas décadas após a sua constituição.
O estudo sublinha ainda o papel das colaborações internacionais e da reanálise de coleções históricas na identificação de novas espécies e na reconstrução da evolução da vida na Terra, destacando o potencial ainda por explorar de acervos científicos existentes em Portugal.
Maria Inês Pereira
Foto: DR

















