O lar Bom Samaritano, da Santa Casa da Misericórdia de Mirandela, reabriu esta semana, cerca de nove meses depois do incêndio que provocou a morte de sete idosos e abalou o concelho transmontano. A transferência dos utentes para as instalações deverá ficar concluída ainda hoje.

O provedor da instituição, João Matias, explicou que os idosos começaram a regressar ao lar na segunda-feira, depois de terem estado distribuídos por várias estruturas do concelho durante o período de encerramento.
“Atualmente são cerca de 70 utentes”, revelou o responsável, lembrando que alguns idosos acabaram por falecer ao longo dos nove meses em que a estrutura esteve inativa.
As obras de requalificação, inicialmente previstas para estarem concluídas até ao final do ano passado, só terminaram em março, devido a atrasos nos procedimentos concursais e a constrangimentos no fornecimento de materiais essenciais.
“Essa história das obras e dos concursos demora sempre muito. Além disso, a intempérie que atingiu o centro do país atrasou-nos bastante, porque uma empresa dessa região tinha de fornecer portas corta-fogo especiais, o que acabou por comprometer todo o calendário”, explicou João Matias.
Apesar de concluída a intervenção física no edifício, a reabertura dependia ainda da validação das medidas de autoproteção e das respetivas inspeções da Proteção Civil e da Segurança Social.
Segundo o provedor, ambas as entidades deram autorização para o regresso dos utentes, embora a inspeção definitiva da Proteção Civil venha a ser realizada já com o lar em funcionamento.
“A Proteção Civil entendeu que faria mais sentido avaliar as condições reais de segurança com a instituição em pleno funcionamento”, referiu.
As obras de recuperação e a aquisição de novos equipamentos, incluindo camas, ultrapassaram os 300 mil euros, montante suportado integralmente pela Misericórdia. A instituição espera, contudo, recuperar parte desse investimento através dos seguros, embora o processo dependa da conclusão da investigação conduzida pelo Ministério Público.
“Os seguros só irão decidir o que fazer quando o processo de investigação estiver concluído”, afirmou João Matias.
A Misericórdia pretende ainda avançar com novas intervenções no edifício, nomeadamente a instalação de uma vedação exterior e a resolução de infiltrações detetadas no espaço.
O incêndio ocorreu em agosto do ano passado, quando o lar Bom Samaritano acolhia 89 utentes. As autoridades apontaram, na altura, para um alegado curto-circuito num colchão anti-escaras como origem das chamas. Seis idosos morreram no próprio dia e uma sétima vítima acabaria por falecer posteriormente.
A investigação passou para a alçada da Polícia Judiciária e do Ministério Público, mantendo-se ainda em curso. Segundo o provedor, várias pessoas já foram ouvidas, mas a instituição continua sem informações oficiais sobre o ponto de situação do processo.

A Redação com Lusa
Foto: DR

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