A eleição para os órgãos sociais da Associação de Atletismo de Bragança para o triénio 2026-2029 está envolta numa forte polémica, depois de a Lista B, encabeçada por Olímpia Santos, anunciar a impugnação formal do ato eleitoral e avançar com denúncias de irregularidades processuais, conflitos de interesses e alegados crimes de difamação.

Em comunicado divulgado esta terça-feira, a candidatura alternativa acusa a direção cessante de ter conduzido um processo eleitoral “sem transparência nem garantias democráticas”, prometendo recorrer “a todas as vias legais, desportivas, cíveis, administrativas e penais” para contestar o sufrágio realizado a 8 de maio.
O ato eleitoral ficou marcado pela exclusão da Lista B antes da votação, circunstância que permitiu à Lista A, liderada por Rodolfo Cidré Moreno e atual presidente da associação, concorrer sem oposição.
Segundo a Lista B, a candidatura foi afastada sem que tivesse sido concedido o prazo legalmente previsto para corrigir alegadas irregularidades formais. A decisão foi tomada pelo presidente da Mesa da Assembleia Geral da associação, António Manuel Teixeira Calçada, após um pedido de impugnação apresentado pelo mandatário da Lista A, José Augusto Cidré Moreno.
A candidatura liderada por Olímpia Santos considera existir um “evidente conflito de interesses”, apontando a ligação familiar entre o mandatário da Lista A e o atual presidente da associação.
Apesar de apenas uma lista constar nos boletins de voto, o resultado eleitoral revelou um cenário de forte contestação interna: a Lista A obteve oito votos favoráveis, enquanto cinco votos foram considerados nulos e dois ficaram em branco, num total de sete votos de protesto.
A polémica ganhou maior dimensão depois de a Federação Portuguesa de Atletismo admitir formalmente a existência de irregularidades no processo. Num ofício enviado à Associação de Atletismo de Bragança, o presidente da Mesa da Assembleia Geral da federação considerou que o ato eleitoral apresentava “contornos, no mínimo, pouco edificantes” e alertou para riscos de situações suscetíveis de “manchar a imagem do atletismo ao nível distrital”.
Entre os problemas identificados pela federação estão o reduzido prazo concedido para apresentação de candidaturas, apenas quatro dias após a convocatória eleitoral, alegadas irregularidades na composição do caderno eleitoral e a exclusão da Lista B sem possibilidade de suprimento das falhas apontadas.
A Lista B questiona ainda a discrepância entre o número de clubes com direito de voto indicado pela Federação Portuguesa de Atletismo, 12 e os 15 votos contabilizados no resultado final divulgado pela associação distrital.
Outro dos pontos levantados prende-se com a alegada falta de transparência financeira da atual direção. A candidatura de Olímpia Santos acusa os órgãos dirigentes de não terem tornado públicas atas de aprovação de contas nem relatórios contabilísticos detalhados ao longo dos últimos três mandatos, apesar de a associação possuir estatuto de utilidade pública.
Em paralelo com a contestação eleitoral, Olímpia Santos anunciou a apresentação de uma queixa-crime por difamação contra os autores de um protesto apresentado durante o processo eleitoral, documento que colocava em causa a sua “idoneidade moral e desportiva” com referência a alegados acontecimentos relacionados com o Torneio Olímpico Jovem Nacional de 2008.
A candidata rejeita “integralmente” as acusações e sustenta que não existe qualquer processo disciplinar, prova documental ou decisão oficial que valide as imputações feitas contra si.
A Lista B garante agora que irá avançar com a impugnação formal do ato eleitoral junto da Federação Portuguesa de Atletismo e, caso necessário, recorrer aos tribunais competentes para exigir a repetição das eleições.
“Não estamos a pedir uma vitória sem eleição. Estamos apenas a exigir uma eleição verdadeiramente democrática, transparente e regular”, refere a candidatura em comunicado.
O processo ameaça abrir uma das maiores crises institucionais recentes no atletismo distrital transmontano, num contexto inédito em que, pela primeira vez na história da Associação de Atletismo de Bragança, surgiu uma candidatura alternativa à liderança da estrutura.

A Redação
Foto: DR

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