A nomeação de José Pires para chefe de gabinete da presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, está a provocar mal-estar e críticas internas no Partido Socialista.
A informação foi hoje avançada pelo Jornal de Notícias (JN). A controvérsia prende-se com o passado político do nomeado, que foi candidato do Chega por Bragança em duas eleições legislativas.
Segundo fontes socialistas citadas pelo JN, existe um “grande desagrado no partido”, com “vários históricos a manifestarem o seu descontentamento”, considerando que José Pires foi “o rosto do Chega em Bragança”. O caso tem causado desconforto entre militantes do PS local, pela simbologia política associada à escolha.
Apesar das críticas, o presidente da Concelhia do PS de Bragança, Rodolfo Moreno, escusou-se a comentar em profundidade a decisão, sublinhando apenas que se trata de uma opção “da exclusiva responsabilidade do Executivo Camarário”.
Confrontada com a polémica pelo referido jornal, Isabel Ferreira saiu a público para defender a nomeação, rejeitando qualquer leitura de natureza partidária. A autarca afirmou que, “à data da nomeação, José Pires não era militante de nenhum partido”, acrescentando que “as pessoas devem preocupar-se com o trabalho realizado e não com espumas acessórias”. Isabel Ferreira sublinhou ainda que o atual chefe de gabinete “não é rosto de nenhum partido há vários anos”.
José Pires, professor de 55 anos, teve no passado ligações ao PSD, ao partido Aliança e ao Chega, mas encontra-se atualmente sem filiação partidária. A sua nomeação ocorreu na sequência da demissão do anterior chefe de gabinete, que abandonou o cargo poucas semanas depois de ter assumido funções.
A situação expõe tensões internas no PS local e reacende o debate sobre a separação entre escolhas técnicas e leituras políticas nas nomeações para cargos de confiança no poder autárquico.
Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR


















