Sete dos nove membros da direção, incluindo o presidente, entregaram as cartas de demissão e provocam eleições antecipadas já marcadas para 25 de julho.

A confirmação chegou ao final da tarde. O presidente da Assembleia-Geral da Associação do Bombeiros de Mirandela, Artur Assis, dava conta que já tinha recebido as cartas de renúncia do mandato de mais seis membros da direção: José Eiras, Manuel Rodrigues, Rui Sá, Alexandrino Pinto, Jorge Alves e Paulo Lago – que se juntaram à do presidente, Marcelo Lago, que já tinha sido entregue na noite do passado sábado.

Dos oito elementos, apenas duas vogais – Maria Antónia Carvalho e Conceição Cláudio – não apresentaram a demissão, mas a falta de quórum resulta na queda da direção e na convocação de eleições antecipadas.

Recorde-se que, ao final da manhã, Rui Sá e Jorge Alves revelaram à Terra Quente FM que não tinham apresentado a demissão e deixaram mesmo a indicação que não estavam a pensar fazê-lo, ficando no ar a possibilidade de ainda poder existir quórum, caso José Eiras, vice-presidente, tivesse a mesma decisão, o que não veio a acontecer, após uma reunião, esta tarde.

Artur Assis adianta que a calendarização do ato eleitoral já está definida. “Até ao dia 10 de junho decorre o prazo para a entrega de listas e as eleições vão acontecer no dia 25 de julho”. Até lá, a direção vai continuar em gestão administrativa.

Os últimos dias foram de intensa polémica interna que culminou neste desfecho. Na sexta-feira, 51 voluntários do quadro ativo, em carta aberta, apelaram à saída de Marcelo Lago, caso contrário garantiam que iriam pedir, individualmente, a inatividade.

Alegavam que as polémicas das últimas semanas “estão a manchar o bom nome da associação e dos seus bombeiros” e acusam o presidente da direção de “tomar decisões que só têm contribuído para aumentar o descontentamento do corpo ativo” que culminaram, no processo que classificam de “atabalhoado” da escolha de um novo comandante com um currículo que consideram “questionável”.

No mesmo dia, José António Ferreira, presidente do Conselho Fiscal e Jorge Lopes, vice-presidente, apresentaram a renúncia dos cargos, alegando “desconforto pelo momento sensível dos bombeiros” e por entenderem que “deveria ter existido uma resposta adequada”, por parte do presidente da direção.

Esta segunda-feira, está confirmada a queda da direção presidida por Marcelo Lago depois de 19 anos à frente daquela associação. O antigo presidente da câmara de Mirandela, entre 1976 e 1989, e os restantes elementos dos órgãos sociais, tinham sido eleitos, em dezembro do ano passado, para um mandato de três anos que terminaria no final de 2022.

Também o processo de nomeação do novo comandante da corporação, iniciado a semana passada, cai por terra. Henrique Teixeira, antigo comandante dos bombeiros de Melo, no distrito da Guarda, tinha sido a escolha de Marcelo Lago, mas, mediante este clima interno na corporação o próprio comandante indigitado terá enviado uma carta à direção declinando o convite, alegando não ter condições para exercer o cargo.

Sendo assim, Luís Carlos Soares continua como comandante em regime de substituição, tal como já acontece desde o dia 1 de junho.

Jornalista: Fernando Pires

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