A vida… é vida! Enquanto a vida tiver vida.
E nós não sabemos quanto dura este fio. Pode ser manhã curta, pode ser tarde comprida. Por isso, a forma como a gastamos… é a forma como ela fica a morar em nós.
Aproveitar a vida não tem de ser um desafio com sete chaves. Não é um cimo de montanha com neve e vento. É mais simples: é abrir a janela de manhã e deixar o sol entrar primeiro do que a pressa. É dar menos peso ao que nos rói por dentro. Menos ouvido ao ruído aborrecido, ao que nos preocupa em demasia e não paga renda nenhuma na nossa cabeça.
Menos tempo às tarefas supérfluas, que são folhas secas a tapar o caminho. Menos tribunal aos erros que já foram cometidos e já cumpriram pena. Menos sala de visitas a quem nos ofende e nunca bate à porta para pedir desculpa.
Viver o presente é, simplesmente, VIVER A VIDA. Com simplicidade de pão quente e honestidade de água clara. É VIVER O AGORA com toda a atenção pousada no minuto, como quem segura um passarinho na mão: sem apertar, sem deixar fugir. É apreciar de graça.
Cada minuto que não pede fatura. Cada hora que passa e não volta. Cada dia que nasce e nos oferece um palco novo. É fazer da rotina um jardim. Regar com criatividade.
Podar as perturbações desnecessárias, essas tesouras que amputam a nossa liberdade responsável e o nosso desejo viável.Porque liberdade sem responsabilidade é vento. E desejo sem chão é nuvem.
As pessoas felizes não vivem a arrastar baús do passado. Não abrem todos os dias as gavetas das memórias negativas, para contar o pó. Elas sabem que o ontem já fechou a porta.
E, por isso, escolhem o presente com intenção, com positividade no pensamento, como quem escolhe a roupa com que vai sair.
Potenciam a energia mais limpa, mais afetiva.
Transformam o cansaço em fôlego e o fôlego em abraço. Vivem a vida na sua plenitude, como quem come devagar para sentir o sabor.
Como se cada momento fosse importante. Porque é. Porque é enquanto temos vida, que temos de ir ao encontro da felicidade. Não esperar que ela bata. Ir nós. E quando a encontrarmos, não a guardar na prateleira. Vivenciá-la. Gastá-la em coisas boas. Se pensarmos assim, a vida fica mais descontraída. Os ombros descem. O riso fica mais fácil. E ficamos mais solidários, mais interativos, mais humanos uns com os outros.
Passamos a valorizar as coisas simples e banais: O café que ainda está quente. A conversa que não tem pressa. A árvore que muda de cor sem pedir licença. O silêncio depois da chuva.
Descobrimos que não andando a correr é muito mais fácil ver. Ver as diferentes fases de cada dia: a manhã que acorda, o meio-dia que trabalha, a tarde que amolece, a noite que recolhe. Ver as coisas boas da VIDA que estavam ali o tempo todo, escondidas atrás da pressa.
A vida… é vida. Enquanto a vida tiver vida.
E cabe-nos a nós fazer dela casa, festa, pão, canção.
Nuno Pires
19/10/2014

















