Entendo que o desporto deve ser atividade, inclusiva, interativa, coletiva, divertida e participativa. Potenciadora de convergências, tolerâncias e motivações, sem discriminações.
Desde sempre gostei de ver mulheres ligadas ao desporto e, particularmente, ao futebol. Ultrapassados que estão muitos dos preconceitos sociais, relativos a esses contextos, confesso que me agrada, não só a ideia, mas também a certeza de que são já em número considerável as mulheres que, de alma e coração, dedicam parte do seu tempo à causa futebolística.
Quem assiste aos treinos, à preparação de um desafio oficial, e por fim a uma partida a sério, sobretudo no que concerne às escolas de formação e à competição em escalões jovens, facilmente se apercebe que a intervenção do sexo feminino se faz notar com singular evidência.
É certo que tudo isto também tem muito a ver com o acompanhamento que, por via da ocupação laboral de ambos os progenitores, quando existentes/presentes na educação dos filhos, é assumido pelas mulheres, nomeadamente as mães.
Por aquilo que me é possível constatar, dotadas de um especial sentido de presença e atenção na formação, junto dos filhos, as progenitoras são de uma entrega inexcedível, a todos os títulos. Por vezes até exagerada, principalmente na forma como interpretam o trabalho formativo, o desenvolvimento competitivo e a ação dos árbitros, nos jogos. Mas isso, não é mais nem menos do que a forma de ser e estar de muitos homens, sem ofensa para estes, nem para elas. Enfim, são formas de sentir e na bola estar, perfeitamente passíveis de educar.
Para além do interesse que regular e afirmativamente evidenciam no acompanhamento dos treinos futebolísticos, as mulheres desenvolvem um particular sentimento de motivação e auto-estima, gerador de impulsos e comportamentos positivos, que extravasam a própria atividade desportiva e se repercutem transversalmente no quotidiano das crianças e jovens. Isto, claro está, quando tudo se processa de forma educativa e num contexto de afirmação assertiva.
Na semana passada, fiquei muito bem impressionado, tendo-me levado mesmo a refletir neste novo comprometimento feminino, quando uma zelosa e presente mãe, com um semblante espelhado na face, de satisfação, alegria e felicidade, me chamou atenção e comentou: – Olhe, não reparou que “O Mensageiro de Bragança” fez um elogio e destacou um golo que o meu filho marcou?!… É claro que não resisti e lá fui ver a referência ao bom golo marcado pelo jovem atleta. Sem dúvida!…
Sei que se trata de uma mãe que protagoniza, de modo exemplar, também o papel de pai. Uma mulher com uma vida profissional intensa, mas que não a impede de realizar um acompanhamento transversal e presente junto do filho.
Por isso, sabendo das dificuldades, por vezes, da conciliação de tarefas e responsabilidades, familiares, profissionais, educativas, formativas e sociais, compreendi o quanto esta mãe valoriza o percurso desportivo do filho, sem nunca descurar a atividade escolar.
Na verdade, o desporto pode e deve ser, também, um espaço de promoção e reforço dos afetos, não só ao nível familiar como coletivo e social.
E, neste contexto, a cada vez maior e mais evidente inclusão das mulheres, quer no apoio, quer gestão e organização das coletividades, merece, do meu ponto de vista, uma referência especial, não só pelo facto de serem elementos femininos, mas também pela suas capacidades de intervenção e ação.
Artigo escrito por Nuno Pires















