Em Trás-os-Montes, a Páscoa não se explica — vive-se. Vive-se nas casas cheias, nas portas abertas e nas mesas fartas onde parece caber sempre mais um. É tempo de preparar o ramo para madrinhas e padrinhos, com salva, cangorça, alecrim, loureiro e oliveira, e de reviver tradições que resistem ao tempo, passando de geração em geração. 

E depois há a mesa. É com um sorriso rasgado de criança, que vamos deambulando entre o cheiro do folar ainda morno (salgado, ou doce para os mais gulosos), o cabrito assado no forno e os doces que nunca parecem ter fim, com aquele convite constante a provar “só mais um bocadinho”, ao qual é tão difícil de resistir. Mas comer – ou melhor, comer bem – faz parte desta tradição de partilha de sabores.

O problema não está no que comemos nestes dias, mas na facilidade com que perdemos a medida. Sem darmos conta, exageramos — e o nosso organismo, habituado a um ritmo mais equilibrado no dia a dia, acaba por sentir as consequências: enfartamento, azia, digestões pesadas ou mesmo noites mal dormidas.

Para quem já tem problemas como colesterol elevado, hipertensão ou diabetes, esta época exige ainda mais atenção. Mas isso não significa abdicar da tradição — significa vivê-la com moderação.

Mais do que regras rígidas, importa adotar pequenas estratégias. Provar um pouco de tudo, sem exagerar nas quantidades, pode fazer toda a diferença. Comer devagar, saborear cada garfada e perceber quando o corpo está satisfeito ajuda a evitar excessos quase sem esforço. Muitas vezes, repetimos não por fome, mas porque “fica bem” — e é aí que o equilíbrio se perde!

Também é importante não passar o dia inteiro à mesa. Aproveite, para abrir as portas e (re)descobrir os encantos de Trás-os-Montes – há inúmeras paisagens que convidam a uma caminhada (sozinho, em família, ou até mesmo com o seu companheiro de quatro de patas) — seja um passeio pela aldeia, um percurso na natureza ou até mesmo ajudar nas tarefas típicas desta época festiva. Ajuda não só na digestão, mas também no bem-estar geral.

Há, ainda, um gesto muito simples mas que faz grande diferença: manter-se hidratado. Manter uma boa ingestão de água ao longo do dia contribui para o bom funcionamento do organismo e pode até ajudar a controlar a vontade de comer em excesso.

E depois da Páscoa? Bem depois da Páscoa, não há espaço para culpas. Um ou outro excesso faz parte. O importante é regressar à rotina com naturalidade, retomando uma alimentação variada e equilibrada, sem compensações desnecessárias.

A Páscoa é um momento especial — e deve continuar a ser vivido como tal, com alegria, tradição e sabor. Cuidar da saúde não significa dizer “não” à mesa, mas sim saber dizer “basta” no momento certo.

Ana Vieira de Carvalho, Médica na ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro e membro da APSAT – Associação de Profissionais de Saúde do Alto Tâmega

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