Os factos vistos à lupa, Uma parceria com o Instituto +Liberdade (maisliberdade.pt) com o Canal N

Portugal tem sido fustigado por tempestades intensas — com destruição, cheias e vítimas — deixando milhares de pessoas sem água e luz, famílias desalojadas, empresas com danos severos e escolas encerradas. Esta sucessão de episódios extremos obriga-nos a olhar para o problema de forma mais completa: prevenção, resposta imediata, recuperação e, sobretudo, capacidade financeira para aguentar o choque quando a catástrofe acontece.

É aqui que entra um ponto menos debatido, mas decisivo. Em Portugal, a cobertura de seguros contra eventos climáticos extremos está entre as mais baixas da Europa. E não estamos a falar de um risco residual. A posição geográfica do país — entre o Atlântico e o Mediterrâneo, com clima quente e vastas áreas florestais — aumenta a vulnerabilidade a incêndios rurais, ondas de calor, secas, cheias e subida do nível do mar. Ou seja: o risco existe, repete-se e tende a intensificar-se.

Os números ajudam a enquadrar a gravidade. De acordo com a OCDE, entre 1980 e 2023 estes fenómenos terão causado mais de 20 mil mortes e cerca de 17,6 mil milhões de euros em perdas económicas. Mesmo assim, a proteção financeira continua frágil. Dados citados pela OCDE indicam que, entre 1980 e 2024, apenas cerca de 3% das perdas associadas a eventos climáticos extremos em Portugal estavam seguradas — um valor muito abaixo do observado na maioria dos países da OCDE. Isto significa que, na prática, a maior parte do impacto económico não é absorvida por seguros: é suportada por quem foi atingido e, frequentemente, pelo Estado.

A comparação internacional torna o contraste evidente. Países como Suíça ou Luxemburgo combinam prejuízos elevados per capita com níveis muito superiores de cobertura seguradora. Portugal, pelo contrário, acumula perdas significativas — cerca de 1,7 mil euros per capita — com uma das taxas de cobertura mais baixas. Quando o risco é pouco mutualizado, o resultado é previsível: o custo das catástrofes recai sobre famílias e empresas não seguradas, reduz a eficácia do mercado segurador e aumenta a pressão sobre recursos públicos.

Por esse motivo, a OCDE recomenda a criação de um mecanismo formal de partilha de risco entre público e privado, incluindo a possibilidade de tornar obrigatório o seguro de propriedade contra catástrofes naturais, como já acontece noutros países. Não é uma discussão “sobre seguros”: é uma discussão sobre resiliência e sobre quem paga a conta quando os eventos extremos voltarem a acontecer.

André Pinção Lucas e Juliano Ventura

9 de fevereiro de 2026


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