O município de Mesão Frio estima que os prejuízos provocados pelo recente episódio de mau tempo ultrapassem os três milhões de euros, podendo atingir cerca de 3,5 milhões, segundo um primeiro levantamento efetuado pelos serviços técnicos da autarquia.
De acordo com o presidente da câmara, Paulo Silva, a chuva intensa acompanhada de vento originou deslizamentos de terra, derrocadas de taludes, quedas de muros, abatimentos de vias e cortes de estradas, afetando igualmente vinhas, habitações e equipamentos públicos, incluindo infraestruturas desportivas. O relatório preliminar já foi remetido ao Ministério da Economia e Coesão Territorial.
Num concelho com cerca de 3.400 habitantes e aproximadamente 900 viticultores, 90% com menos de um hectare, os danos nas vinhas e nos tradicionais muros de xisto assumem especial gravidade. Estes muros, elementos estruturantes da paisagem do Alto Douro Vinhateiro, classificada como Património Mundial pela UNESCO em 2001, implicam custos elevados de reconstrução, muitas vezes incomportáveis para pequenos produtores.
Perante um impacto que “ultrapassa largamente” a capacidade financeira municipal, o autarca defende apoio firme do Estado para ajudar tanto a autarquia como os agricultores afetados. Mesão Frio dispõe de um orçamento anual próximo dos 13 milhões de euros para 2026, dos quais cerca de seis milhões resultam de transferências estatais e quatro milhões de fundos comunitários, valores considerados insuficientes para responder à dimensão dos estragos.
A dimensão dos danos reforça a urgência de medidas de recuperação e proteção do território, numa região onde a viticultura molda não só a economia local, mas também a identidade cultural e paisagística do Douro.
A Redação com Lusa
Fotos: DR



















