As eleições presidenciais de 18 de janeiro apresentam um dos quadros mais diversificados da democracia portuguesa. São onze os candidatos à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa, oriundos de todo o espetro político — dos partidos tradicionais às forças emergentes, da esquerda à direita, passando por independentes, militares, gestores, sindicalistas e artistas. Perfis distintos, percursos variados e visões contrastantes sobre o papel do Presidente da República.

LUÍS MARQUES MENDES
O político que foi quase tudo no PSD e quer agora ser Presidente

Com 68 anos, Luís Marques Mendes apresenta-se como o candidato da experiência institucional. Antigo deputado, secretário de Estado, ministro, líder parlamentar e presidente do PSD, anunciou a candidatura a 6 de fevereiro, entregando nesse mesmo dia o cartão de militante. O PSD aprovou formalmente o apoio em maio, seguido do CDS-PP em novembro.
Nascido em Azurém, Guimarães, licenciou-se em Direito em Coimbra e iniciou cedo a vida política. Após deixar a liderança do PSD, em 2007, afastou-se da política ativa, tornando-se consultor jurídico e comentador televisivo. É conselheiro de Estado desde 2011.

HENRIQUE GOUVEIA E MELO
O almirante das vacinas que promete estar acima dos partidos

O almirante na reserva Henrique Gouveia e Melo, 65 anos, entra na corrida presidencial com a promessa de independência face aos partidos e capacidade mobilizadora. Ganhou notoriedade nacional como coordenador do plano de vacinação contra a covid-19, símbolo de eficácia e autoridade.
Nascido em Quelimane, Moçambique, teve uma carreira militar de mais de 40 anos, culminando como chefe do Estado-Maior da Armada. Define-se como um “centro pragmático”, inspira-se em Ramalho Eanes e Mário Soares e defende uma política externa atlântica e europeia.

ANDRÉ VENTURA
O rosto do Chega que se afirma antissistema

Depois do terceiro lugar em 2021, André Ventura volta a candidatar-se, assumindo-se como candidato antissistema. Líder do Chega desde a fundação, Ventura, 42 anos, mantém um discurso duro sobre imigração e minorias, que lhe tem valido forte contestação e processos judiciais.
Jurista de formação, ex-comentador desportivo e antigo militante do PSD, Ventura lidera hoje a segunda maior força parlamentar. Diz não querer ser “o Presidente de todos”, mas sim o porta-voz de uma rutura política.

ANDRÉ PESTANA
Das greves nas escolas à candidatura pelos “sem voz”

Professor e dirigente sindical, André Pestana, 48 anos, ganhou projeção como rosto das greves do setor da educação. Doutorado em Biologia, apresenta-se como candidato dos serviços públicos e da justiça social.
Sem militância partidária ativa, promete usar Belém como tribuna de combate à precariedade, às desigualdades e à crise climática, assumindo-se como voz dos que, diz, não têm representação.

HUMBERTO CORREIA
O candidato surpresa focado na habitação

Pintor e autor, Humberto Correia, 63 anos, surge como candidato independente após entregar quase 9.500 assinaturas. Com um percurso marcado pela emigração e pela pobreza, coloca a crise da habitação no centro da campanha.
Promete uma campanha de proximidade, percorrendo o país vestido de D. Afonso Henriques, defendendo mais habitação social e um Presidente interventivo.

JORGE PINTO
O mais jovem candidato e o “novo sotaque” europeu

Deputado do Livre, Jorge Pinto, 37 anos, é o candidato mais jovem. Europeísta convicto, com percurso académico e profissional internacional, propõe levar a Belém uma visão aberta, plural e ecológica.
Engenheiro do Ambiente e doutorado em Filosofia Política, vê a esquerda como “uma janela” e assume Jorge Sampaio como referência presidencial.

JOÃO COTRIM FIGUEIREDO
O gestor liberal que chegou à política por acaso

Antigo líder da Iniciativa Liberal e atual eurodeputado, João Cotrim Figueiredo, 64 anos, apresenta-se como um “político acidental”. Com vasta carreira empresarial, defende uma visão liberal do Estado e da economia.
Foi o primeiro deputado da IL, liderou o crescimento do partido e tornou-se uma das figuras mais reconhecidas da direita liberal portuguesa.

ANTÓNIO FILIPE
O comunista que quer fazer história em Belém

Deputado do PCP durante mais de três décadas, António Filipe, 62 anos, tenta tornar-se o primeiro Presidente comunista. Conhecido pela urbanidade parlamentar e capacidade de diálogo, foi vice-presidente da Assembleia da República durante 17 anos.
Jurista, militante comunista desde jovem e sócio histórico do Belenenses, carrega também polémicas posições internacionais.

MANUEL JOÃO VIEIRA
O absurdo como crítica política

Candidato pela quinta vez, o músico e artista Manuel João Vieira volta a usar o humor e o surrealismo para expor o que considera o “absurdo da política”. Conhecido pelo percurso artístico e propostas extravagantes, afirma que a candidatura é um ato de resistência cultural.

ANTÓNIO JOSÉ SEGURO
O regresso do socialista sem amarras

Antigo líder do PS, António José Seguro regressa à vida política após uma década de afastamento. Apresenta-se como candidato independente, apesar do apoio socialista, posicionando-se numa esquerda moderada.
Ex-ministro, deputado e eurodeputado, aposta na experiência e no diálogo democrático.

CATARINA MARTINS
Da cultura à política, para “cuidar da democracia”

Eurodeputada e ex-coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, 51 anos, estreia-se em presidenciais com uma candidatura centrada na defesa da democracia e dos direitos sociais.
Atriz de formação, foi uma das figuras centrais da ‘geringonça’ e promete fazer de Belém um espaço de pontes e escuta ativa.

A Redação com Lusa
Foto: DR

Dizeres Populares BIG MAC VAI NUM AI Mirandela Braganca 730x90px
Alheiras Angelina
Dizeres Populares BATATAS TAO ESTALADICAS Mirandela Braganca 730x90px
Dizeres Populares TASTY ARREGUILAR OS OLHOS Mirandela Braganca 730x90px
banner canal n
IMG_9798
Artigo anteriorCCDR-NORTE, A ÚNICA REGIÃO COM ELEIÇÃO DISPUTADA
Próximo artigoCÉU COSTA CONQUISTA TÍTULO NACIONAL F55 NO TRAIL ENDURANCE