O portão principal do Centro Escolar do Douro, em Andrães, Vila Real, amanheceu esta quarta-feira fechado a cadeado, numa ação de protesto relacionada com as elevadas temperaturas registadas no interior das salas de aula. A situação motivou a intervenção da Guarda Nacional Republicana (GNR), que foi chamada ao local para acompanhar a ocorrência.
Segundo confirmou fonte da GNR, os militares deslocaram-se à escola durante a manhã, tendo sido aberto um segundo acesso ao estabelecimento de ensino, o que permitiu o normal funcionamento das atividades letivas. A força de segurança irá agora elaborar um auto de notícia para remeter ao Ministério Público.
No portão encerrado foram afixadas várias mensagens de contestação, entre elas um apelo dirigido ao Ministério da Educação para a definição de orientações claras perante episódios de calor extremo nas escolas.
A ação surge num contexto de crescente preocupação entre encarregados de educação e comunidade escolar relativamente às condições térmicas verificadas no edifício. Ana Teixeira, encarregada de educação e representante dos pais, afirma que têm sido registadas temperaturas superiores a 30 graus Celsius no interior das salas.
“Não há condições para os meninos estarem na escola. Já houve inclusive crianças a sentirem-se mal devido ao calor”, referiu, salientando que o problema se tem agravado nos últimos dias devido à persistência das elevadas temperaturas.
A representante dos pais sublinha que o objetivo não passa apenas por encontrar soluções imediatas para o atual ano letivo, que termina na próxima semana, mas sobretudo garantir respostas estruturais para o futuro.
“Sabemos que não será possível resolver a situação de um dia para o outro, mas queremos que sejam encontradas soluções para os próximos anos. A escola tem boas condições durante o inverno, mas não faz sentido prolongar o calendário escolar até esta altura sem que existam condições adequadas para enfrentar o calor”, defendeu.
Também outros encarregados de educação manifestaram preocupação. Elisa Castro, mãe de um aluno de 10 anos, considera que a ação serviu para chamar a atenção para uma realidade que afeta diariamente as crianças.
Confrontada com a situação, a Câmara Municipal de Vila Real garantiu estar a acompanhar o problema em articulação com os agrupamentos escolares. Em comunicado, a autarquia esclarece que o Centro Escolar do Douro dispõe de um sistema de climatização por geotermia instalado em 2012, concebido de acordo com as exigências técnicas então em vigor.
No entanto, o município reconhece que os episódios de calor extremo atualmente registados colocam novos desafios ao desempenho dos equipamentos existentes.
“A situação já havia sido identificada e está a ser acompanhada pelos serviços municipais”, refere a autarquia, acrescentando que estão a ser analisadas medidas complementares e soluções alternativas para reforçar a capacidade de resposta do edifício perante fenómenos meteorológicos cada vez mais frequentes e intensos.
A Câmara Municipal reafirma ainda compreender a preocupação dos pais e garante que continuará a trabalhar em conjunto com os agrupamentos e associações de encarregados de educação para encontrar soluções que assegurem condições adequadas de conforto, segurança e bem-estar para alunos, professores e funcionários.
Entretanto, também a Escola das Árvores enfrentou recentemente constrangimentos relacionados com o sistema de climatização. Embora a avaria no ar condicionado já tenha sido reparada, duas turmas continuavam a ter aulas em espaços alternativos, como a biblioteca e a sala dos professores.
Recorde-se que o distrito de Vila Real permanece sob aviso amarelo devido à persistência de temperaturas elevadas, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), num período em que o calor extremo volta a colocar pressão sobre as infraestruturas escolares da região.
Jornalista: Paulo Silva Reis com Lusa
Foto: DR

















