O Partido Socialista (PS) questionou o Ministério do Ambiente e Energia sobre a ausência de uma data concreta para a reposição da ponte de arame que ligava as aldeias de Monteiros e Veral, submersa desde o enchimento da albufeira da barragem do Alto Tâmega, em outubro de 2023.

A infraestrutura, que assegurava a ligação pedonal entre Monteiros, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, e Veral, em Boticas, desapareceu com o avanço das águas da barragem, integrada no Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET), concessionado à Iberdrola.
Numa pergunta enviada à Assembleia da República, os deputados socialistas, liderados por Pedro Vaz, interrogam a ministra Maria da Graça Carvalho sobre eventuais entraves ao projeto. Em concreto, querem saber se existe alguma objeção por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), se a responsabilidade pela obra continua atribuída à Iberdrola, qual o financiamento previsto e quando arrancará a construção.

APA afasta objeções e aponta para solução em articulação

O Ministério do Ambiente garante que a APA “não só não se opõe ao projeto” como acompanha o processo desde 2018, promovendo a articulação entre as autarquias e a empresa concessionária para viabilizar a reposição do acesso “no mais curto espaço de tempo”.
A tutela sublinha ainda que, enquanto autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental, a APA tem monitorizado o cumprimento das condições impostas ao SET, incluindo a reposição de serviços afetados e a implementação de medidas compensatórias de natureza socioeconómica, entre as quais se inclui a reconstrução da ponte.

População continua sem alternativa próxima

O desaparecimento da travessia teve impacto direto no quotidiano das populações locais. Segundo o PS, os habitantes são agora obrigados a percorrer cerca de 50 quilómetros por estrada para um trajeto que anteriormente era feito a pé em poucos minutos.
Apesar de reuniões realizadas entre a APA, os municípios de Boticas e Vila Pouca de Aguiar, a Iberdrola e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, e da apresentação de um anteprojeto em novembro de 2023, o processo permanece parado.
No final de 2024, o então secretário de Estado do Ambiente, Emídio Sousa, terá garantido que as condições estariam reunidas no início de 2025 para o arranque da obra ainda durante o ano. No entanto, mais de um ano depois, os trabalhos continuam por iniciar.

Uma reivindicação antiga

A reposição da ponte tem sido uma reivindicação persistente das populações desde o anúncio da construção da barragem do Alto Tâmega. A causa tem mobilizado autarcas, associações locais e cidadãos, com petições e manifestações públicas a exigir uma solução.
O Sistema Eletroprodutor do Tâmega, um dos maiores projetos hidroelétricos da Península Ibérica, integra três barragens, Alto Tâmega, Daivões e Gouvães e respetivas centrais, sendo apontado como estruturante para a produção de energia renovável, mas também marcado por impactos locais que continuam por resolver.

A Redação com Lusa
Foto: DR

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