A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) manifestou forte preocupação com a redução para metade das novas camas inicialmente previstas no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e para a Rede Nacional de Cuidados Paliativos.
Segundo noticiou o Público, das 7.400 camas planeadas avançarão apenas 3.850, devido a atrasos na execução do PRR, um corte de mais de 48%. Para a APCP, esta diminuição compromete o reforço da resposta a uma população cada vez mais envelhecida, num contexto de hospitais sobrelotados e equipas já além da sua capacidade.
A presidente da associação, Catarina Pazes, alerta para efeitos imediatos: “A eliminação de aproximadamente metade das camas previstas terá impacto direto nos internamentos hospitalares prolongados, sem benefício clínico. Os doentes em sofrimento ficam sem alternativas, e as equipas ficam ainda mais sobrecarregadas.”
A dirigente reconhece que os prazos apertados do PRR condicionaram o avanço dos projetos, mas exige esclarecimentos sobre o futuro: “O que preocupa, e deve ser claramente explicado, é se o objetivo de aumentar a capacidade da Rede Nacional de Cuidados Paliativos cai agora por terra, ou se o Governo assegura outras fontes de financiamento.”
A APCP sublinha ainda que a decisão “contradiz recomendações internacionais”, lembrando que a OCDE destacou Portugal como um dos países com maior percentagem de mortes hospitalares, o que exige reforço dos cuidados comunitários e equipas domiciliárias especializadas.
A associação critica também a ausência de uma estratégia nacional para os cuidados paliativos e o “inadmissível atraso” na nomeação da presidência da Comissão Nacional de Cuidados Paliativos.
A APCP reafirma disponibilidade para colaborar com o Governo e entidades reguladoras na procura de soluções sustentáveis e ajustadas às necessidades da população.
Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR



















