O presidente da Concelhia do Partido Socialista (PS) de Bragança, Rodolfo Cidré, apresentou a demissão do cargo, alegando “desarticulação constante e permanente com o executivo municipal” e a existência de um “ambiente hostil” em torno da estrutura partidária. A decisão foi anunciada no domingo à noite e confirmada pelo próprio durante o dia de hoje.
Militante socialista há 26 anos, Rodolfo Cidré liderava a Comissão Política Concelhia desde novembro de 2025, após a demissão de Artur Pires. Trata-se, assim, da segunda saída da liderança local em pouco tempo, cenário que poderá precipitar a queda da comissão política, caso não existam suplentes suficientes para assegurar o seu funcionamento.
O dirigente demissionário justificou a decisão com a existência de “um ambiente hostil para com o partido por elementos externos” e com alegados obstáculos ao trabalho da concelhia. “Pessoas que, não sendo militantes, pretendem criar uma situação de controlo e monopólio da ação política do Partido Socialista e eu não poderei, de forma alguma, aceitar isso”, afirmou.
No comunicado divulgado, Rodolfo Cidré sustenta ainda que a gestão da Câmara Municipal de Bragança, liderada por Isabel Ferreira, eleita com o apoio do PS nas autárquicas de outubro passado, tem revelado um “distanciamento” face às estruturas partidárias, alegadamente sem diálogo nem partilha de informação que permita acompanhamento político.
Entre os pontos mais críticos apontados está a nomeação do chefe de gabinete do executivo municipal, José Pires, antigo militante do Chega. Para Cidré, esta escolha representa um “desvio ideológico” que colide com a matriz do Partido Socialista.
O dirigente refere ainda divergências quanto à continuidade de projetos herdados de anteriores executivos, como o Museu da Língua Portuguesa, e à aquisição recente de livros de um ex-presidente de câmara do PSD, decisões que considera desalinhadas com a orientação política defendida pela concelhia.
A demissão do presidente da concelhia abre a possibilidade de substituição pelo presidente da mesa da comissão política, que poderá convidar outro membro da lista a assumir funções. Contudo, segundo Rodolfo Cidré, o número de suplentes poderá não ser suficiente para garantir o regular funcionamento da estrutura, o que poderá conduzir à sua dissolução.
Este ano estão previstas eleições internas nas concelhias do PS, embora ainda sem data marcada. Rodolfo Cidré já tinha anunciado a sua recandidatura à liderança da estrutura de Bragança, enfrentando Ricardo Calhelha, que integrava a sua lista anterior.
No comunicado, o dirigente criticou a antecipação de movimentações internas, classificando-as como uma “corrida desenfreada” ao poder. Ainda assim, garantiu que continuará a trabalhar para que a sua candidatura avance.
A demissão marca um novo episódio de tensão interna no PS de Bragança, num momento politicamente sensível para o partido, que lidera atualmente o executivo municipal.
A Redação com Lusa
Fotos: DR



















