Assinala-se hoje, 7 de abril, o Dia Mundial da Saúde. Em 2026, o tema “Juntos pela saúde. Ao lado da ciência” surge como um apelo urgente, não apenas à ação coletiva, mas à responsabilidade individual num tempo em que a desinformação se propaga com uma rapidez preocupante.
Vivemos numa era em que o acesso à informação nunca foi tão fácil. Paradoxalmente, nunca foi tão difícil distinguir o que é verdadeiro do que é falso. Redes sociais, fóruns e conteúdos virais transformaram-se, muitas vezes, em substitutos perigosos do conhecimento científico e do aconselhamento médico. Opiniões são partilhadas como factos, experiências pessoais ganham estatuto de evidência e teorias sem fundamento encontram terreno fértil na dúvida e no medo.
A falta de literacia em saúde não é um problema menor, é uma ameaça real à qualidade de vida das populações. Quando se desvaloriza a ciência, colocam-se em causa conquistas fundamentais da medicina. Quando se ignora o aconselhamento de profissionais de saúde, abre-se espaço a decisões erradas, atrasos no diagnóstico e tratamentos inadequados.
Combater este fenómeno exige mais do que campanhas pontuais. Exige educação, pensamento crítico e, sobretudo, responsabilidade. Cada cidadão deve assumir um papel ativo na forma como consome e partilha informação. Questionar é saudável, mas deve ser feito com base em fontes credíveis, como instituições de saúde, profissionais qualificados e evidência científica reconhecida.
A confiança na ciência não é um ato de fé, é o resultado de décadas de investigação, validação e progresso. É essa ciência que permite prevenir doenças, salvar vidas e melhorar a qualidade de vida. Ignorá-la é, em última instância, um risco que ninguém deveria correr.
Neste Dia Mundial da Saúde, a mensagem é clara: cuidar da saúde começa também pela forma como nos informamos. Estar “ao lado da ciência” é escolher o rigor em vez do ruído, o conhecimento em vez da dúvida infundada, e a responsabilidade em vez da negligência.
Porque a saúde não se debate, protege-se, informa-se e respeita-se.

Artigo escrito por Carla Barroso Reis, membro da Associação de Profissionais de Saúde do Alto Tâmega (APSAT)

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