Os danos provocados pelo recente mau tempo no concelho de Torre de Moncorvo poderão ultrapassar um milhão de euros, afetando infraestruturas rodoviárias, equipamentos públicos, caminhos agrícolas, muros e diversas explorações agrícolas, nomeadamente pomares e culturas hortícolas.
No Vale da Vilariça, no sul do distrito de Bragança, a subida excecional do caudal do rio Sabor e dos seus afluentes fez a água galgar o leito normal, atingindo em algumas zonas ribeirinhas alturas próximas dos 10 metros, um cenário considerado atípico mesmo numa região habituada a cheias sazonais.
O presidente da Câmara Municipal, José Meneses, confirmou que o levantamento preliminar aponta para prejuízos globais superiores a um milhão de euros, tendo já sido solicitado apoio governamental para mitigar os efeitos da intempérie.
Entre os locais mais afetados encontra-se o espaço de lazer da Praia Fluvial da Foz do Sabor, onde os danos em circuitos elétricos, mobiliário urbano e estruturas de apoio ultrapassam, numa primeira avaliação, os 10 mil euros. Também as obras de ampliação do tabuleiro e reforço dos pilares da ponte que liga o IP2 à aldeia da Foz do Sabor sofreram prejuízos estimados em cerca de 200 mil euros e um atraso de aproximadamente dois meses, podendo comprometer a época balnear, agora apontada apenas para setembro.
Até ao momento, estão registadas cerca de 30 ocorrências relacionadas com o mau tempo. A recuperação dos caminhos, taludes, muros e estradas dependerá da descida do nível das águas, que ainda impede a entrada de maquinaria nos terrenos.
Apesar do caráter excecional do ano hidrológico, o autarca sublinha que as barragens do Baixo Sabor e do Feiticeiro contribuíram para regular o caudal do rio, evitando danos ainda mais graves. Ainda assim, a agricultura local enfrenta perdas significativas.
O produtor agrícola Mário Martins estima prejuízos próximos dos 150 mil euros, com culturas destruídas e pomares submersos há várias semanas. Num laranjal com cerca de 10 hectares e mais de 600 árvores, a permanência prolongada da água compromete a produção e danifica os sistemas de rega, colocando em risco a sustentabilidade da exploração.
Perante a dimensão dos estragos, o concelho prepara-se para um exigente processo de recuperação, enquanto reforça o apelo a medidas de apoio que permitam proteger a economia agrícola e restaurar as infraestruturas essenciais do território.
A Redação com Lusa
Fotos:DR



















