Os trabalhadores do Matadouro Industrial do Cachão vão cumprir uma greve nos dias 27 e 28 de julho, convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias da Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB). O protesto surge na sequência do não pagamento do subsídio de férias e da falta de informação sobre o processo de insolvência da empresa.

Em comunicado, o sindicato afirma que a paralisação representa “um último recurso perante o desrespeito a que têm sido sujeitos” os trabalhadores, denunciando uma situação de incerteza que se arrasta há vários meses.

Segundo o SINTAB, desde que foi declarada a insolvência da empresa têm sido solicitados esclarecimentos sobre o alegado plano de recuperação anunciado pelas câmaras municipais de Mirandela e Vila Flor. O sindicato refere que pediu reuniões com os presidentes das duas autarquias, sem obter qualquer resposta, e que também tentou reunir com o administrador de insolvência, que informou não ser possível fazê-lo devido à existência de um pedido de impugnação do processo.

No comunicado, a estrutura sindical lamenta ainda a ausência de uma posição pública por parte das associações representativas dos produtores pecuários e dos restantes agentes ligados ao setor da carne, considerando que continua a existir “um silêncio preocupante” em torno do futuro da unidade.

O sindicato defende que os trabalhadores permanecem sem conhecer o rumo da empresa e afirma que o anunciado plano de recuperação continua “sem rosto, sem conteúdo e sem qualquer explicação pública”.

Apesar das dificuldades, o SINTAB sublinha que os funcionários continuaram a assegurar o funcionamento da unidade industrial. “Continuaram a assegurar o funcionamento do Matadouro Industrial do Cachão, mantendo os níveis de produção e demonstrando, todos os dias, um elevado sentido de responsabilidade para com a empresa, os produtores pecuários e a economia regional”, pode ler-se no comunicado.

A organização sindical denuncia igualmente atrasos sucessivos no pagamento dos salários, situação que, refere, tem provocado dificuldades financeiras aos trabalhadores. A falta de pagamento do subsídio de férias terá sido, segundo o sindicato, o fator determinante para o recurso à greve.

O pré-aviso de greve, entregue às entidades competentes, indica que a paralisação decorrerá durante a totalidade das jornadas de trabalho dos dias 27 e 28 de julho e apresenta duas reivindicações centrais: “Pelo pagamento do subsídio de férias” e “Pelo direito à informação sobre o estado do processo de insolvência”.

O SINTAB considera ainda que o Matadouro Industrial do Cachão é uma infraestrutura estratégica para Trás-os-Montes e defende que a situação exige “transparência, compromisso e ação”, apelando ao envolvimento do poder local e do Governo na procura de soluções que garantam a continuidade da atividade e a salvaguarda dos postos de trabalho.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

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