Intervenção artística permite preservar a memória de árvores de grande porte que tiveram de ser abatidas por razões de segurança e transforma a madeira em peças com significado para a comunidade.
Os troncos de árvores de grande porte existentes junto ao cemitério de Valpaços estão a ganhar uma nova vida através da arte. Depois do corte de alguns exemplares, devido ao seu estado e ao risco que representavam para pessoas e bens, a madeira que permaneceu no local está agora a ser transformada em esculturas inspiradas na tradição religiosa da comunidade.
A intervenção procura conciliar uma decisão necessária com a valorização do espaço e da memória associada às árvores que durante anos fizeram parte da paisagem local.
O presidente da Câmara Municipal de Valpaços, Jorge Mata Pires, reconhece que o abate de árvores de grande porte é sempre uma decisão difícil, sobretudo quando se trata de exemplares com valor ambiental, paisagístico e patrimonial.
A necessidade de garantir a segurança levou, contudo, à intervenção, tendo a autarquia procurado encontrar uma forma de manter parte da presença e da memória das árvores no próprio espaço.
É nesse contexto que os troncos estão a ser trabalhados diretamente no local, dando origem a peças artísticas que representam imagens e elementos ligados à vida religiosa e à identidade da comunidade.
A solução permite que aquilo que teve de ser retirado por razões de segurança não desapareça totalmente da paisagem. A madeira transforma-se em arte e os antigos troncos passam a assumir uma nova função, preservando uma ligação simbólica entre a natureza, a memória e o património local.
Para a autarquia, a intervenção demonstra também que decisões difíceis podem ser acompanhadas por soluções capazes de acrescentar valor aos espaços públicos.
Em Valpaços, árvores que já não podiam permanecer de pé continuam, agora através da arte, a fazer parte da história e da paisagem da cidade.
Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR




















