O Chaves venceu o Marialvas por 2-1, mas houve um instante que valeu muito mais do que o golo inaugural. Depois de marcar de penálti, Roberto correu para junto de um pequeno apanha-bolas que o esperava atrás da baliza. Era o filho mais velho. Por breves segundos, o futebol deu lugar ao amor de um pai.
Há momentos no futebol que não cabem no marcador. Não contam para a classificação, não mudam as estatísticas, mas ficam na memória de quem os presencia. Foi isso que aconteceu no Chaves–Marialvas, ontem na Taça de Portugal.
Roberto acabara de assumir a responsabilidade de converter uma grande penalidade. A bola entrou, os Valentes Transmontanos adiantaram-se no marcador e a festa começou. Mas, atrás da baliza, alguém aguardava por ele com uma expectativa diferente da de todos os outros: o seu filho mais velho, que desempenhava as funções de apanha-bolas e o ajudava a indicar o lado para onde rematar.
O avançado não precisou de palavras. Correu para junto do menino, apertou-o num abraço demorado e deu-lhe um beijo. Um gesto espontâneo, daqueles que dispensam explicações e dizem tudo sobre o que realmente importa.
Por instantes, deixou de haver uma eliminatória para ganhar, um penálti para converter ou um resultado para defender. Havia apenas um pai e um filho a partilharem uma alegria que o futebol teve a capacidade de juntar no mesmo lugar, à mesma hora.
O público viu Roberto marcar. Mas, naquele abraço, viu-se também o homem por detrás do jogador, alguém que encontrou no olhar do filho uma razão especial para celebrar.
O Chaves acabaria por vencer o Marialvas por 2-1 e seguir em frente na Taça de Portugal. Contudo, para lá dos golos e do apuramento, ficou uma imagem capaz de atravessar as quatro linhas e chegar muito mais longe.
Porque há vitórias que se escrevem nos relvados e outras que se guardam para sempre no coração. Roberto marcou de penálti, mas o momento mais bonito do seu golo aconteceu quando abraçou o filho.
Jornalista: Paulo Silva Reis
Foto: Luís Martins





















