A UNESCO renovou a inscrição do fabrico do barro preto de Bisalhães na lista do Património Cultural Imaterial que necessita de salvaguarda urgente, reforçando o reconhecimento internacional de um saber ancestral profundamente ligado à identidade do concelho de Vila Real.

A decisão favorável foi tomada pelo Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, após a apreciação do relatório quadrienal submetido pelo município em dezembro de 2025, no qual são detalhadas as medidas adotadas para a preservação da tradicional louça preta.

O presidente da Câmara de Vila Real, Alexandre Favaios, destacou a importância da renovação da classificação, sublinhando que o barro preto de Bisalhães está “umbilicalmente ligado” à história e à identidade do território. “Ao fim de cerca de 10 anos da inscrição inicial, vemos reafirmado o reconhecimento do esforço desenvolvido, mas sobretudo valorizado o trabalho de todos os oleiros que, ao longo de gerações, mantiveram vivo este saber ancestral”, afirmou.

O processo de fabrico do barro preto de Bisalhães foi inscrito na lista da UNESCO a 29 de novembro de 2016, devido ao risco de desaparecimento desta prática artesanal. No relatório agora avaliado, a autarquia apresentou evidências do trabalho desenvolvido na documentação do processo produtivo, no apoio aos mestres oleiros e no envolvimento ativo da comunidade local.

Segundo Alexandre Favaios, a comunidade tem vindo a adaptar-se aos tempos atuais, promovendo a modernização da apresentação e da utilização da louça, num processo evolutivo apoiado pelo município. Paralelamente, a autarquia tem investido na formação, sensibilização educativa e capacitação de novos oleiros, assegurando a transmissão do conhecimento com base nos saberes tradicionais ainda existentes.

Como parte da estratégia de valorização, a Câmara de Vila Real prepara-se para lançar, ainda este ano, a empreitada de construção do Museu da Louça Preta de Bisalhães, um investimento superior a 600 mil euros. O museu ficará instalado numa casa de habitação do século XVIII, onde subsistem uma antiga oficina e um forno de cozedura, e integrará um espaço expositivo, um pequeno auditório e uma oficina experimental.

Com esta renovação da classificação, o município reafirma o compromisso de preservar, promover e projetar o barro preto de Bisalhães, garantindo a continuidade de um património singular e a sua transmissão às gerações futuras.

A Redação com Lusa
Foto: DR

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