Portugal vai contar, a partir de hoje, com um reforço europeu sem precedentes no combate aos incêndios rurais, através da mobilização de duas aeronaves ligeiras e de 60 bombeiros estrangeiros ao abrigo do Mecanismo Europeu de Proteção Civil. A medida integra a maior operação de prevenção e resposta a incêndios alguma vez coordenada pela União Europeia.

O dispositivo foi apresentado esta terça-feira, em Bruxelas, pela comissária europeia para a Preparação e Gestão de Crises, Hadja Lahbib, que classificou a operação como o mecanismo de combate a incêndios da União Europeia “mais ambicioso e melhor coordenado de sempre”.
“Baseia-se num princípio simples: quando ocorre uma catástrofe, somos mais fortes quando atuamos em conjunto”, sublinhou a responsável europeia.
No total, a União Europeia irá pré-posicionar 777 bombeiros em seis países considerados de elevado risco de incêndio, Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia e Chipre, ultrapassando os cerca de 650 operacionais destacados em 2025.
No caso português, o reforço europeu será assegurado por dois contingentes internacionais. Entre 16 e 31 de julho, estarão destacados 20 bombeiros da Letónia. Já entre 1 e 31 de agosto, Portugal receberá uma força de 40 bombeiros oriundos de Malta. Estas equipas permanecerão em estado de prontidão para apoiar as autoridades nacionais sempre que a dimensão dos incêndios ultrapasse a capacidade de resposta interna.
A presença de bombeiros estrangeiros em território nacional não é inédita. No verão passado, Portugal acolheu igualmente 20 operacionais da Letónia em Trancoso e duas equipas de 20 bombeiros de Malta, posicionadas em Almeirim entre agosto e setembro.
Além dos meios humanos, a União Europeia posicionará em Portugal duas aeronaves ligeiras de combate e vigilância, integradas numa frota europeia composta por 22 aeronaves e cinco helicópteros distribuídos por vários Estados-membros durante o período crítico de incêndios.
Paralelamente, Bruxelas reforçará a coordenação estratégica através do Centro de Coordenação de Resposta de Emergência. Entre meados de junho e meados de setembro, especialistas em incêndios de vários países estarão reunidos para monitorizar riscos, desenvolver capacidades de previsão e fortalecer a cooperação operacional.
“O objetivo é conseguirmos responder com a máxima rapidez”, destacou Hadja Lahbib.
Em território nacional, o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais voltou também a ser reforçado esta segunda-feira, pela segunda vez em 2026. Até ao final de junho, estarão mobilizados 13.335 operacionais, distribuídos por 2.265 equipas, apoiados por 2.969 veículos e 78 meios aéreos, aos quais se juntam três helicópteros da AFOCELCA.
A partir de 1 de julho e até 30 de setembro, período tradicionalmente mais crítico em termos de risco de incêndio, o dispositivo nacional atingirá a sua capacidade máxima. Estarão disponíveis 15.149 operacionais, integrados em 2.596 equipas, apoiados por 3.463 viaturas e 81 meios aéreos, registando-se um ligeiro aumento face ao ano anterior.
Entretanto, os dados provisórios do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais revelam que, desde o início do ano, foram registados 2.780 incêndios em Portugal, responsáveis por 10.387 hectares de área ardida. A região Norte concentra a maioria das ocorrências, com 1.616 incêndios e 9.079 hectares consumidos pelas chamas, confirmando-se como a zona mais afetada do país em 2026.

A Redação com Lusa
Foto: DR

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