O investimento associado à abertura do curso de Medicina na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, já ultrapassa os dois milhões de euros, revelou hoje o reitor da instituição, durante uma audição conjunta no Parlamento.

O reitor da UTAD, Jorge Ventura, foi ouvido pelas comissões parlamentares de Saúde e de Educação e Ciência, numa sessão dedicada às condições de abertura do Mestrado Integrado em Medicina, previsto para arrancar em setembro. A audição foi realizada a pedido do Chega, no contexto das dúvidas levantadas pela Ordem dos Médicos quanto à preparação do curso.
Recorde-se que, em abril, a Ordem dos Médicos considerou não estarem reunidas as condições mínimas para o início da formação no ano letivo 2026/27. Já a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) atribuiu uma acreditação condicional ao curso, válida por dois anos, dependente do cumprimento de requisitos como a formação do corpo docente e a criação de um centro de simulação clínica.
Perante os deputados, Jorge Ventura sublinhou que a universidade não pretende “alimentar qualquer divergência” com a Ordem dos Médicos, defendendo antes uma postura de cooperação e diálogo institucional. “Queremos trabalhar em conjunto, ouvindo as recomendações da Ordem dos Médicos e acolhendo os contributos que possam reforçar a qualidade do projeto”, afirmou.
O responsável destacou ainda que a UTAD assumiu o compromisso de cumprir integralmente todas as exigências de qualidade associadas à formação médica, sublinhando que o investimento já realizado inclui a aquisição de mesas anatómicas digitais de última geração, equipamentos para um centro de simulação médica e a preparação de infraestruturas pedagógicas avançadas.
Segundo o reitor, já estão concluídas três salas de aula totalmente equipadas, encontra-se em montagem uma sala dedicada a tecnologias imersivas, com realidade virtual e aumentada e decorre também um plano de formação pedagógica para docentes.
O projeto conta igualmente com a participação da Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD), cuja presidente, Sara Mota, destacou que a iniciativa representa “uma oportunidade concreta para inverter tendências de décadas”, sublinhando a importância da formação médica no interior para a fixação de profissionais de saúde na região.
A responsável alertou ainda para aquilo que considera ser um “nível acrescido de suspeição” quando projetos desta natureza surgem fora dos grandes centros urbanos, defendendo que o curso poderá formar cerca de 40 médicos por ano numa fase de maturidade.
Pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), João Sàágua esclareceu que o curso foi sendo progressivamente melhorado até reunir condições de funcionamento, embora permaneça sujeito a um período de avaliação rigorosa ao longo dos próximos dois anos.
Também os representantes da Comunidade Intermunicipal do Douro e do Município de Vila Real reiteraram o apoio ao projeto, sublinhando a sua relevância estratégica para a melhoria dos cuidados de saúde e para o reforço da coesão territorial na região.

Jornalista: Paulo Silva Reis com Lusa
Foto: DR

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