Dezenas de viticultores concentraram-se, na sexta-feira, 7 de agosto, junto às instalações do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), no Peso da Régua, para contestar as dificuldades que continuam a afetar o setor vitivinícola da Região Demarcada do Douro.
A iniciativa foi promovida pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e pela AVADOURIENSE – Associação dos Viticultores e da Agricultura Familiar Douriense. Em causa estão, sobretudo, as dificuldades no escoamento das uvas, a indefinição dos preços e os elevados custos de produção suportados pelos agricultores.
Com a aproximação da vindima, os produtores dizem estar novamente perante um cenário de incerteza, temendo que parte da produção fique sem comprador. A situação é particularmente preocupante para as pequenas e médias explorações, que enfrentam maiores dificuldades para assegurar a sustentabilidade económica da atividade.
Durante a concentração, os representantes dos viticultores defenderam a adoção imediata de mecanismos que garantam maior estabilidade ao setor. Entre as propostas apresentadas estão a obrigatoriedade de contratos de compra e venda de uva, a definição de preços mínimos e a proibição de transações abaixo dos custos de produção.
Os agricultores reivindicam também um aumento do quantitativo de benefício, a utilização de aguardente regional na produção de vinho generoso e a criação de uma medida de destilação de crise dirigida, prioritariamente, a determinadas produções das adegas cooperativas e aos produtores que não recorram à compra de vinho a terceiros.
Uma delegação entregou ao IVDP um documento com as principais reivindicações do setor, apelando à concretização das medidas já durante a próxima vindima.
A contestação surge poucos dias depois de ter sido apresentado um novo plano para o setor vitivinícola duriense, cuja implementação é agora acompanhada com atenção pelos produtores.
CNA e AVADOURIENSE defendem que a resposta às dificuldades da região não pode ser adiada e admitem novas ações de protesto caso não sejam adotadas medidas concretas para garantir o escoamento da produção e melhores condições económicas para os viticultores.
Em causa está não apenas o futuro das explorações agrícolas, mas também a preservação da atividade vitivinícola e da paisagem do Douro, construída ao longo de gerações e com forte importância económica, social e cultural para toda a região.
Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR




















