Os dados mais recentes relacionados com afogamentos de crianças e jovens em Portugal estão a gerar preocupação junto das entidades responsáveis pela prevenção e segurança, levando a Guarda Nacional Republicana (GNR) e a Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) a avançarem com uma nova campanha de sensibilização dedicada a este tema.

Apesar de, numa análise mais alargada, os indicadores revelarem uma redução significativa do número de mortes e internamentos ao longo das últimas duas décadas, os números registados nos anos mais recentes apontam para uma tendência que motiva especial atenção.

De acordo com os dados divulgados, entre 2020 e 2024 perderam a vida 63 crianças e jovens vítimas de afogamento, enquanto outras 57 necessitaram de internamento hospitalar. No mesmo período, foram ainda registadas 588 ocorrências médicas relacionadas com afogamentos e acidentes de mergulho encaminhadas através do sistema de emergência.

A análise por grupos etários permite identificar diferentes padrões de risco. As crianças entre os 0 e os 4 anos apresentam o maior número de ocorrências e internamentos, com a maioria dos casos a acontecer em piscinas. Já entre os jovens dos 15 aos 19 anos verifica-se o número mais elevado de vítimas mortais.

Os dados apontam ainda para uma maior incidência de situações envolvendo rapazes, bem como para uma forte concentração dos casos durante os meses de verão, sobretudo em junho, julho e agosto.

As entidades alertam igualmente para o crescimento de ocorrências em ambientes aquáticos naturais, como rios, ribeiras, lagoas e praias, particularmente entre crianças mais velhas e adolescentes.

Segundo a GNR e a APSI, muitos destes acidentes continuam a acontecer de forma rápida e silenciosa, reforçando a necessidade de medidas preventivas permanentes, sobretudo em períodos de férias e maior procura de espaços aquáticos.

Entre as principais recomendações estão a supervisão constante das crianças por parte dos adultos, a instalação de barreiras de segurança em piscinas privadas, a utilização de zonas balneares vigiadas e a existência de equipamentos de socorro em locais sem vigilância.

As entidades recordam que a prevenção continua a ser a principal ferramenta para evitar tragédias e apelam à adoção de comportamentos responsáveis em torno da água.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

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