O Vale do Côa voltou a revelar novos vestígios da ocupação humana durante a Pré-História, com a identificação de gravuras rupestres do Paleolítico Superior no sítio arqueológico do Fariseu. As representações, com uma antiguidade superior a 23 mil anos, incluem figuras de auroques, cavalos, cervas, cabras e vitelos, oferecendo novos dados sobre a fauna e as manifestações artísticas do período Solutrense.
A descoberta resulta do trabalho de investigação desenvolvido pela equipa científica da Fundação Côa Parque, que continua a aprofundar o conhecimento sobre um dos mais relevantes conjuntos de arte rupestre ao ar livre do mundo. A atividade de prospeção e estudo realizada no território tem permitido identificar novos testemunhos arqueológicos e reforçar o valor científico e patrimonial da região.
Classificado como Monumento Nacional e inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO, o Parque Arqueológico do Vale do Côa reúne atualmente cerca de 1.600 rochas identificadas em 104 sítios arqueológicos, onde estão registadas mais de 15.650 gravuras, refletindo milhares de anos de ocupação humana e de produção artística.
O presidente da Fundação Côa Parque, João Paulo Sousa, considera que estas descobertas demonstram que o potencial arqueológico do Vale do Côa continua longe de estar totalmente revelado. O responsável destaca que, três décadas após a criação do Parque Arqueológico, continuam a surgir novos elementos que ajudam a compreender melhor a história da Humanidade, sublinhando que, só durante este ano, foram identificadas cerca de 60 novas gravuras.
Para João Paulo Sousa, o investimento continuado na investigação e na preservação deste património tem sido determinante para alcançar novos resultados, valorizando o trabalho desenvolvido pelos arqueólogos da Fundação Côa Parque e reforçando a projeção internacional do Vale do Côa como uma referência incontornável no estudo da arte rupestre pré-histórica.
Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR


















