Carrazeda de Ansiães foi palco de uma experiência artística marcada pelo encontro entre a literatura e a música com a apresentação do espetáculo “O Eterno Retorno”, protagonizado pela escritora transmontana Dulce Maria Cardoso.
Mais do que uma leitura encenada, o espetáculo proporcionou ao público uma viagem pelas memórias, pela identidade e pelos percursos de vida da autora, num formato onde a palavra e a música dialogaram de forma permanente, criando uma experiência intimista e emotiva.
Ao longo da apresentação, Dulce Maria Cardoso revisitou diferentes momentos da sua história pessoal, desde as origens transmontanas até à infância vivida em Angola, passando pelo regresso a Portugal na sequência do processo de descolonização. As recordações partilhadas permitiram compreender de que forma a memória, o desenraizamento e a procura de identidade influenciaram a construção da sua obra literária.
A componente musical teve um papel central no espetáculo. O Quarteto Lopes-Graça acompanhou a narrativa com interpretações que reforçaram a dimensão emocional dos textos, enquanto a participação do percussionista Aldovino Munguambe acrescentou sonoridades inspiradas em África, evocando o universo vivido pela autora durante a infância.
As escolhas musicais estabeleceram uma ligação direta com algumas das obras mais emblemáticas de Dulce Maria Cardoso, criando uma fusão entre literatura e música que ampliou a força das histórias contadas em palco.
“O Eterno Retorno” apresentou-se, assim, como uma reflexão sobre temas universais como a memória, a pertença e a construção da identidade, convidando o público a revisitar as suas próprias vivências através da palavra e da arte.
A iniciativa proporcionou um momento de grande intensidade cultural em Carrazeda de Ansiães, demonstrando como diferentes expressões artísticas podem cruzar-se para criar novas formas de comunicação e de aproximação entre os criadores e o público.
Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

















