Jorge Palma morreu esta segunda-feira à noite, aos 76 anos, na sequência de uma paragem cardiorrespiratória. O músico e compositor deixa uma das carreiras mais longas e marcantes da música portuguesa, construída ao longo de mais de 50 anos entre discos, concertos, viagens e colaborações.
A morte foi comunicada pela família e pela agência do artista, que pediu que Jorge Palma seja recordado através das suas canções e palavras. Na mensagem divulgada, destacam ainda a generosidade do músico e os laços de amizade que construiu ao longo da vida.
Nascido em Lisboa, em 1950, Jorge Palma começou a estudar piano ainda criança e cedo revelou uma forte ligação à música. Na adolescência descobriu a guitarra e aproximou-se do rock e da música popular, influências que viriam a marcar o seu percurso artístico.
A carreira profissional ganhou forma na década de 1970. Depois de passar por vários grupos e de lançar os primeiros trabalhos a solo, Jorge Palma viveu também períodos no estrangeiro. Em 1973 deixou Portugal por se recusar a cumprir o serviço militar e instalou-se na Dinamarca, regressando após o 25 de Abril.
Ao longo das décadas seguintes, construiu uma obra marcada por temas como “Deixa-me Rir”, “Frágil”, “Encosta-te a Mim” e “A Gente Vai Continuar”, além de uma extensa colaboração com outros músicos portugueses. Passou também pelos Rio Grande, ao lado de nomes como Rui Veloso, Tim, Vitorino e João Gil.
A ligação de Jorge Palma a Trás-os-Montes também ficou marcada por várias passagens pela região. O músico atuou em palcos de Vila Real, Bragança, Alijó e Peso da Régua, mantendo ao longo dos anos uma presença junto do público transmontano. Em 1987, participou ainda num programa da RTP dedicado aos jovens de Trás-os-Montes, onde interpretou alguns dos seus temas.
Entre os trabalhos mais reconhecidos da sua discografia estão “Bairro do Amor”, “Só”, “Jorge Palma”, “Norte” e “Voo Nocturno”, este último distinguido com tripla platina e considerado o álbum mais vendido da sua carreira.
A relação de Jorge Palma com os palcos manteve-se ativa até aos últimos anos. Em 2024 iniciou o espetáculo “3 Palmas na Mão”, partilhando o palco com os filhos, Vicente e Francisco Palma.
Distinguido como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, recebeu este ano o Prémio Carreira nos PLAY – Prémios da Música Portuguesa, numa cerimónia em que voltou a defender a importância da liberdade e da democracia.
Jorge Palma deixa uma obra que atravessou várias gerações e uma carreira marcada por uma linguagem própria, pela constante reinvenção e por uma ligação próxima ao público.
Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR



















