Nasceu longe dos grandes centros urbanos, sem gabinetes, sem financiamentos e sem qualquer ambição de protagonismo. Nasceu no Interior, movida apenas por paixão. Hoje, a Meteo Trás-os-Montes – Portugal está prestes a atingir meio milhão de seguidores, é citada por órgãos de comunicação social nacionais e tornou-se uma referência incontornável na divulgação de fenómenos meteorológicos extremos.

Por detrás do projeto estão seis nomes: Márcio Santos, Tiago Pinho, Tiago Gonçalves, Daniel Couto, Gonçalo Poço e António Braga, rostos discretos que sempre recusaram o palco mediático. Márcio é o mentor e a voz desta entrevista, mas faz questão de sublinhar que o sucesso é coletivo.

“O Meteo Trás-os-Montes nasceu por brincadeira, para partilhar informação com familiares e amigos. Nunca imaginei que pudesse alcançar o reconhecimento que tem hoje”, recorda.

O crescimento foi rápido e orgânico. A chave esteve no envolvimento direto dos seguidores, que transformaram a página num espaço de informação bidirecional. Fotografias, relatos no terreno e alertas em tempo real passaram a complementar a leitura rigorosa dos modelos meteorológicos.

“A informação começou a fluir nos dois sentidos. Foi isso que nos permitiu inovar, com atualizações ao minuto e uma linguagem simples, acessível a todos”, explica Márcio.

A afirmação nacional coincidiu com alguns dos episódios meteorológicos mais marcantes dos últimos anos: nevões históricos, tempestades severas, ondas de calor extremas. Este fim de semana foi mais uma prova dessa credibilidade: tal como vinha a ser antecipado pela página, a neve caiu com intensidade e o IPMA elevou o aviso para Vermelho, o mais grave da escala.

Num país cada vez mais vulnerável a fenómenos extremos, projetos independentes ganharam espaço e confiança junto das populações. A Meteo Trás-os-Montes – Portugal destaca-se pela proximidade ao território, em especial ao Interior Norte, onde muitas vezes a informação chega mais tarde, ou nem chega.

“O número de seguidores é fruto de muito trabalho e muita paixão. As pessoas sentem que fazem parte do projeto”, sublinha.

Apesar do impacto nacional, tudo funciona de forma voluntária. Não há apoios institucionais, nem financiamentos estruturados. Apenas alguns apoios pontuais e a monetização das redes sociais, que, admitem, está longe de compensar o esforço diário.

“Conciliamos vida pessoal, trabalho e uma enorme responsabilidade informativa. Não é fácil”, confessa.

A relação com as entidades oficiais é descrita como positiva e de respeito mútuo. Apesar de, por vezes, anteciparem fenómenos antes dos avisos formais, garantem que nunca houve conflitos.

“Sabem que a informação é fidedigna e atualizada. Isso salva bens, e às vezes vidas.”

Num tempo em que a informação corre à velocidade de um clique e a desinformação é uma ameaça real, a Meteo Trás-os-Montes – Portugal prova que o rigor, o conhecimento do território e a paixão continuam a fazer a diferença.

Do Interior para todo o país, este projeto tornou-se mais do que uma página de meteorologia. É hoje um serviço público informal, construído com base na confiança de quem todos os dias olha para o céu, e para o ecrã, à procura de respostas.

Sem promessas de institucionalização, mas com uma ambição clara: continuar a informar, alertar e proteger. Porque, às vezes, as maiores referências nascem longe dos holofotes. E é aí que ganham força.

Jornalistas: Paulo Silva Reis e Edgar Pedreiro

Fotos: Meteo Trás-os-Montes – Portugal

Dizeres Populares BIG MAC VAI NUM AI Mirandela Braganca 730x90px
Alheiras Angelina
Dizeres Populares TASTY ARREGUILAR OS OLHOS Mirandela Braganca 730x90px
Design sem nome (5)
IMG_9798
banner canal n
Dizeres Populares BATATAS TAO ESTALADICAS Mirandela Braganca 730x90px
Banner Elisabete Fiseoterapia
Artigo anteriorIMPACTO DO PLPQ NO TERRITÓRIO DESTACADO EM CERIMÓNIA REGIONAL
Próximo artigoDOCENTE DA UTAD DISTINGUIDO COMO JOVEM ENÓLOGO DO ANO NOS W AWARDS 2025