Num tempo em que a medicina avança a uma velocidade impressionante, com novos fármacos, tecnologia de diagnóstico de precisão e abordagens terapêuticas cada vez mais sofisticadas, é fácil esquecermo-nos de uma das forças mais antigas e silenciosamente eficazes na promoção da saúde humana: o amor.

Celebramos hoje o chamado Dia dos Namorados. Para muitos, trata-se apenas de uma data simbólica, marcada por gestos românticos, flores ou jantares especiais. Contudo, do ponto de vista de quem vive diariamente o cuidado da saúde, esta data recorda-nos algo muito mais profundo: a ligação emocional entre as pessoas tem impacto real, mensurável e transformador no bem-estar físico e mental.
A ciência tem vindo a demonstrar que relações afetivas estáveis e significativas contribuem para a redução do stress, para a melhoria do sistema imunitário e até para a diminuição do risco cardiovascular. O simples ato de sentir apoio, pertença e segurança emocional desencadeia respostas biológicas que favorecem o equilíbrio do organismo. Hormonas associadas ao afeto e à confiança ajudam a regular a ansiedade, melhoram a qualidade do sono e influenciam positivamente a recuperação da doença.
Mas o amor não se limita à dimensão romântica. Ele manifesta-se no cuidado de um familiar, na amizade persistente, na empatia de um profissional de saúde ou na solidariedade de uma comunidade. Em contexto clínico, vemos frequentemente que os doentes que se sentem acompanhados enfrentam melhor a dor, aderem mais facilmente aos tratamentos e encontram maior esperança nos momentos de maior fragilidade. A presença humana continua a ser, muitas vezes, a intervenção mais poderosa.
Importa também reconhecer que falar de amor em saúde é falar de prevenção. Sociedades mais conectadas emocionalmente tendem a apresentar menores níveis de isolamento, depressão e comportamentos de risco. Promover vínculos saudáveis é, por isso, uma estratégia de saúde pública tão relevante quanto qualquer campanha de rastreio.
Neste Dia dos Namorados, talvez o maior convite seja o de resgatar o essencial. Num quotidiano dominado pela pressa e pela exigência, cuidar das relações é também cuidar da saúde. Dizer uma palavra de afeto, escutar com atenção genuína ou simplesmente estar presente pode ter efeitos que nenhum exame consegue medir plenamente, mas que o corpo e a mente reconhecem.
Como profissional de saúde, acredito que a medicina do futuro continuará a depender da tecnologia e do conhecimento científico. Mas estou igualmente certa que jamais poderá dispensar aquilo que nos torna profundamente humanos. O amor, discreto, gratuito e tantas vezes invisível, permanece uma das mais belas formas de cura.

Artigo escrito por: Carla Barroso Reis, enfermeira na ULSTMAD e membro da Associação de Profissionais de Saúde do Alto Tâmega (APSAT)

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