O inventário da Capa de Honras Mirandesa está concluído, com o registo de cerca de 200 exemplares, num processo considerado determinante para a futura classificação desta peça como Património Cultural Imaterial.

A informação foi avançada pela presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Helena Barril, que destacou a importância deste passo no processo de salvaguarda de um dos maiores símbolos identitários da Terra de Miranda.
Segundo a autarca, as capas foram registadas na plataforma MatrizPCI, sistema que integra o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, permitindo documentar não só as peças, mas também o saber-fazer associado à sua confeção.
O processo de inscrição teve início em 2022 e encontra-se agora concluído, seguindo-se um período de avaliação que poderá durar entre um a três anos, até à eventual classificação oficial.
A Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) já tinha inscrito a Capa de Honras Mirandesa no inventário nacional em novembro de 2022, após proposta apresentada pelo município, acompanhada de um trabalho de investigação aprofundado sobre a origem e significado desta peça tradicional.

SÍMBOLO IDENTITÁRIO COM SÉCULOS DE HISTÓRIA

Para Helena Barril, a capa tem vindo a ganhar nova visibilidade, mas sublinha a necessidade de preservar o seu valor cultural. “É fundamental cuidar desta peça e não a banalizar, pois tem um peso histórico muito significativo”, afirmou, acrescentando que o município promove regularmente iniciativas de salvaguarda e valorização.
Também Alcides Meirinhos, da Associação de Língua e Cultura Mirandesas, reforça o valor simbólico desta peça, considerando-a tão antiga quanto a própria língua mirandesa. “É um elemento profundamente enraizado na identidade da Terra de Miranda, com vários séculos de história, originalmente utilizado como proteção contra as intempéries”, explicou.
Inicialmente usada por boieiros e pastores, a Capa de Honras evoluiu ao longo do tempo, assumindo-se como um símbolo de fidalguia e estatuto social. Hoje, é reconhecida como uma das expressões mais marcantes da cultura mirandesa.
A sua confeção continua a ser um processo exigente e artesanal. Segundo a artesã Palmeira Falcão, cada capa pode atingir valores na ordem dos mil euros, refletindo o elevado custo dos materiais, como o pardo, e o tempo necessário para a sua produção.
De acordo com o historiador transmontano António Rodrigues Mourinho, a origem da peça poderá remontar aos séculos IX ou X, associada à chamada “capa de chiba”, de inspiração medieval. No entanto, os primeiros registos documentais conhecidos datam apenas de 1819 e 1828, mantendo-se ainda em estudo a sua evolução ao longo dos séculos.
A conclusão do inventário representa, assim, um marco decisivo na valorização da Capa de Honras Mirandesa, reforçando o caminho para o seu reconhecimento oficial como património cultural imaterial e garantindo a preservação de uma tradição única em Portugal.

A Redação com Lusa
Foto: DR

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