Artigo de opinião de Elói Gouveia Santos – Responsável de Comunicação Empresa Pública Municipal

Algures nos últimos anos, passámos da liberdade de expressão para um modelo fonético semelhante. Mas em tudo diferente. 

Seria possível, hoje em dia, exibir o filme O Grande Ditador, com Charles Chaplin, sem se levantar um coro de indignação prévia? 

O Diácono Remédios, inefável personagem de Herman José, fez escola. Há uma permanente tentativa de colonizar o outro, fazê-lo pensar o que nós pensamos, ignorando a diversidade. A discordância só vale se os decibéis subirem. O respeito pela opinião que nos desagrada é – amiúde – mantido por mera convenção social. 

O escrutínio constante uniformiza os pensamentos. Os valores em que assentaram os valores da revolução francesa – Liberdade, Igualde e Fraternidade – sofrem da erosão que afeta também as coisas.  

Curiosamente, e contra o que talvez fosse expetável, o politicamente correto veio impor comportamentos e julgamentos fáceis.  

Tudo o que é preciso para que uma ideia se imponha é que seja partilhável e tenha likes. Se é verdade que existe aqui um fator de democratização, não é menos verdade que impõe um permanente estado de desconfiança. A desconfiança pode minar as sociedades. Há que esteja disponível para provocar polémicas espúrias apenas para ter notoriedade. Notoriedade e reconhecimento são coisas distintas, entenda-se. 

Os decisores políticos, que não precisam de quem os defenda, e ai de quem o faça!, são hoje uma das classes mais incompreendidas. Acusados de tudo, com ou sem fundamento, veem o seu bom nome capturado por “dá-cá-aquela-palha”.  Estão condenados, em maior ou menor escala, ao vilipêndio vitalício. Não há dinheiro que pague isso. A competência pode e deve melhorar e esse é um desafio de TODOS os cidadãos. 

Todas as generalizações, e esta não foge à regra, são absurdas. Os políticos não são isto ou aquilo, nem são “todos iguais”. Essa é uma armadilha em que tendemos a cair. A formação de arquétipos é uma prisão em potência. ” 

“Fulano tem cara de não sei o quê…, estava mesmo a ver-se que ia fazer aquilo…” A simplificação das análises não trará nada de bom.

Ao legislador cabe resistir à tentação de ceder ao soundbyte. Não se trata de fazer apologia da manutenção do status quo, mas de apelar a procedimentos que permitam um corpo legislativo funcional e estável.  

É urgente sair do maniqueísmo extremado.  É vital fugir dos julgamentos morais. É indispensável debater ideias num clima construtivo. 

Para finalizar, deixo um repto. Portugal talvez seja um dos países do mundo com mais capitais: do azeite, da amendoeira, etc. Talvez esteja na hora de o Interior, alguma autarquia do Interior, reclamar para si o título de Capital do teletrabalho.  

Quem sabe se o combate à desertificação não começa por aí? 

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