A antiga estação ferroviária de Estação de Abambres, na histórica Linha do Corgo, foi palco, no passado domingo, 17 de maio, de uma ação cívica de limpeza e sensibilização promovida por defensores da reabertura da linha ferroviária, numa iniciativa que voltou a chamar a atenção para o futuro daquela infraestrutura.
O evento decorreu às portas da cidade de Vila Real e reuniu cidadãos e ativistas ligados à defesa do património ferroviário e da mobilidade ferroviária no interior do país. Segundo os promotores, a estação de Abambres é atualmente a última estação da Linha do Corgo que ainda preserva as vias ferroviárias no local original.
Apesar de o convite ter sido dirigido a diferentes forças políticas, os organizadores lamentaram a ausência de representantes partidários, quer a nível nacional quer distrital, durante a ação.
A iniciativa serviu também para reforçar a crescente mobilização política e cívica em torno da reabertura da Linha do Corgo, encerrada desde 2009 no troço entre Régua e Chaves.
Os defensores da recuperação da linha recordam que a totalidade do traçado ferroviário foi incluída no Plano Nacional Ferroviário, publicado em novembro de 2022 e aprovado em Conselho de Ministros em março de 2025, documento estratégico que prevê a reabertura da infraestrutura ferroviária.
Paralelamente, encontra-se em fase final de apreciação na Comissão Parlamentar de Infraestruturas e Mobilidade a petição pela reabertura da Linha do Corgo, entregue na Assembleia da República em fevereiro de 2025 com mais de mil assinaturas. A audição parlamentar obrigatória decorreu já em dezembro do mesmo ano.
O tema ganhou igualmente expressão no debate político nacional durante a discussão do Orçamento do Estado para 2026, altura em que foram apresentadas quatro propostas de alteração relacionadas com a cabimentação financeira para a reabertura da linha, subscritas por diferentes partidos políticos, entre os quais Bloco de Esquerda, Chega, Livre e Partido Comunista Português.
Mais recentemente, em março de 2026, foi ainda entregue na Comissão Parlamentar de Infraestruturas e Mobilidade um projeto de resolução apresentado pelo Chega, defendendo formalmente a reativação da ligação ferroviária.
Os promotores da iniciativa alertam, no entanto, para aquilo que consideram ser uma ameaça ao futuro da linha: a intenção manifestada por algumas autarquias locais de transformar o antigo canal ferroviário numa ciclovia.
Segundo os defensores da reabertura, essa possibilidade poderá comprometer definitivamente o potencial de recuperação da infraestrutura ferroviária, contrariando orientações definidas no Plano Nacional Ferroviário e ignorando o crescente apoio político e cívico em torno da reposição da ligação ferroviária no interior transmontano.
A Linha do Corgo continua, assim, a afirmar-se como um dos temas mais sensíveis e mobilizadores no debate sobre mobilidade, coesão territorial e investimento ferroviário em Trás-os-Montes.
A Redação
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