O Município de Alfândega da Fé abriu concurso público para o alargamento do perímetro de rega do bloco Norte do Vale da Vilariça, numa intervenção avaliada em 1,8 milhões de euros. Apesar do investimento, a Associação de Beneficiários do Vale da Vilariça alerta que a expansão do regadio sem a construção de uma nova barragem poderá colocar em risco culturas permanentes já instaladas na região.

O projeto prevê a ampliação em cerca de 200 hectares da área servida pelos aproveitamentos hidroagrícolas de Santa Justa e da Burga, permitindo levar água às aldeias de Santa Justa e Vilarelhos, no concelho de Alfândega da Fé, e a Assares e Santa Comba da Vilariça, no concelho de Vila Flor.
Segundo o presidente da Câmara Municipal de Alfândega da Fé, Eduardo Tavares, a intervenção permitirá aumentar em cerca de 140 hectares a área regada no concelho, corrigindo situações consideradas injustas para agricultores que, apesar da proximidade das barragens, continuavam sem acesso regular à água.
“Queremos fazer justiça com estas populações”, afirmou o autarca, acrescentando que o objetivo do município passa por duplicar a área de regadio até 2027, atingindo os 2.000 hectares irrigados.
O investimento será financiado a 100% pelo Plano Nacional de Regadio. Caso o concurso não fique deserto, a obra deverá arrancar entre outubro e novembro deste ano, com um prazo de execução estimado em dez meses.
Paralelamente, encontra-se também em curso o concurso público para o alteamento da barragem da Burga, infraestrutura cuja capacidade de armazenamento deverá aumentar em 15% através da elevação do paredão em dois metros.
No entanto, a anunciada construção da barragem do Cerejal, inicialmente integrada na mesma candidatura liderada pelo Município de Vila Flor, acabou por não avançar.
Eduardo Tavares explicou que a exclusão da nova barragem resultou de limitações técnicas identificadas pela autoridade nacional competente, que considerou suficiente o alteamento da barragem da Burga.
Segundo o autarca, o projeto do Cerejal apresentava um rácio técnico desfavorável entre o volume de aterro necessário e a capacidade de armazenamento de água, tornando a obra menos viável do ponto de vista técnico e económico.
A decisão está, contudo, a gerar forte preocupação junto dos agricultores e da Associação de Beneficiários do Vale da Vilariça.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da associação, Fernando Brás, alertou que o sistema de regadio existente já enfrenta dificuldades significativas, obrigando atualmente ao recurso à barragem do Salgueiro para garantir o abastecimento da zona sul do bloco da Burga.
“Vamos ter de dar água sem a ter”, advertiu o responsável, defendendo que o aumento de capacidade proporcionado pelo alteamento da barragem da Burga será insuficiente para responder às necessidades futuras, sobretudo no caso das culturas permanentes, como olival, amendoal e pistáchio.
Fernando Brás considera que a construção da barragem do Cerejal seria essencial para assegurar a sustentabilidade do sistema de regadio e evitar colocar em risco investimentos agrícolas de “centenas de milhares de euros”.
“Ou há barragem do Cerejal, ou então não deve haver alargamento do bloco Norte”, afirmou.
Confrontado com as críticas, Eduardo Tavares garantiu que o novo alargamento não comprometerá as culturas existentes, sublinhando que grande parte das áreas agora abrangidas já utiliza água “de forma precária”.
Também o presidente da Câmara de Vila Flor, Pedro Lima, confirmou que decorre atualmente o concurso para o projeto de execução do alteamento da barragem da Burga, embora tenha afirmado desconhecer a exclusão da barragem do Cerejal do processo.
O Vale da Vilariça, considerado uma das principais zonas agrícolas de Trás-os-Montes, abrange os concelhos de Alfândega da Fé, Vila Flor e Torre de Moncorvo, concentrando produções de olival, frutos secos, horticultura e fruticultura.
Atualmente, o bloco Norte é abastecido pela barragem de Santa Justa, cobrindo cerca de 800 hectares, enquanto a barragem da Burga, apoiada pela barragem do Salgueiro, serve aproximadamente 450 hectares de área agrícola.

A Redação com Lusa
Foto: DR

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