A tradição do pão barrosão encontrou-se com a inovação científica esta sexta-feira no Centro SIPAM do Barroso, em Aldeia Nova, numa iniciativa que colocou em destaque novas formas de valorizar um dos produtos mais emblemáticos da identidade gastronómica da região.
Promovida pelo Instituto Politécnico de Bragança, através da Escola Superior de Hotelaria e Bem-Estar de Chaves, em parceria com a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, a ADRAT e a AquaValor, a sessão reuniu investigadores, estudantes e responsáveis institucionais para apresentar projetos que procuram aliar património, ciência e desenvolvimento territorial.
Um dos momentos centrais da jornada foi a apresentação de dois pães inovadores produzidos com produtos endógenos do Barroso, nomeadamente castanha e cogumelos. As novas receitas foram desenvolvidas por alunos da licenciatura em Restauração e Tecnologia Alimentar, tendo como objetivo responder às necessidades nutricionais de uma população cada vez mais envelhecida, sem perder a ligação às características tradicionais do pão da região.
Os produtos foram sujeitos a análises laboratoriais que validaram o seu valor nutricional, demonstrando o potencial da conjugação entre conhecimento científico e saber-fazer tradicional. Durante a sessão foi ainda apresentada uma bebida isotónica de base termal, resultado de investigação direcionada para a valorização dos recursos naturais do território.
A presidente da Câmara Municipal de Montalegre, Fátima Fernandes, destacou a importância do Centro SIPAM do Barroso enquanto espaço de preservação e projeção das tradições locais.
“Não há nada mais identitário e tradicional do que o nosso pão. É um produto que acompanha gerações de barrosões e que está profundamente ligado à nossa forma de viver, ao espírito comunitário e à cultura das nossas aldeias”, afirmou.
A autarca recordou ainda o papel histórico dos fornos comunitários, estruturas que durante décadas estiveram no centro da vida social das aldeias barrosãs. “Havia dias definidos para cozer o pão e responsáveis por manter os fornos acesos. Era um verdadeiro exemplo de organização comunitária que permitia produzir pão para várias semanas, mantendo a sua qualidade”, salientou.
Fátima Fernandes revelou também que o município está a desenvolver um projeto de requalificação dos fornos comunitários existentes no concelho, com o objetivo de preservar este património e transformá-lo num fator de dinamização económica e turística.
“Queremos que esta herança continue viva e que possa gerar valor acrescentado para as comunidades locais, integrando-se cada vez mais nas rotas gastronómicas e na oferta turística do território”, sublinhou.
A iniciativa reforçou a vocação do Centro SIPAM do Barroso como espaço de valorização do património agrícola e alimentar da região, demonstrando que a inovação pode ser uma ferramenta decisiva para preservar tradições centenárias e criar novas oportunidades de desenvolvimento sustentável.
Entre a memória dos fornos comunitários e os desafios da alimentação do futuro, o pão do Barroso continua assim a afirmar-se como um símbolo de identidade, capaz de unir gerações e projetar o território para novos horizontes.
Jornalista: Paulo Silva Reis
Foto: DR





















