A aldeia comunitária de Rio de Onor prepara-se para receber milhares de visitantes entre os dias 17 e 19 de julho, com o regresso de mais uma edição do Festival D’Onor, um dos mais genuínos eventos culturais do nordeste transmontano, onde a tradição, a música e o espírito de comunidade continuam a ser os grandes protagonistas.
Naquele que será o oitavo ano do festival, a organização espera voltar a encher de vida uma aldeia que, ao longo do ano, conta com cerca de três dezenas de habitantes, mas que durante estes dias se transforma num vibrante ponto de encontro entre gerações, culturas e territórios.
Promovido pela associação Montes de Festa, o Festival D’Onor distingue-se pela sua forte ligação à identidade local e pelo envolvimento direto da população. Um dos momentos mais aguardados volta a ser a tradicional Ronda das Adegas, que decorre ao sábado e convida os visitantes a percorrer as ruas da aldeia, entrando nas adegas e casas dos habitantes para partilhar petiscos, vinho, histórias e hospitalidade.
Nesta edição, cerca de 20 adegas estarão abertas ao público, cinco das quais localizadas em Rio de Honor, reforçando a dimensão transfronteiriça de uma aldeia única, dividida administrativamente entre Portugal e Espanha, mas unida por séculos de convivência e tradições comuns.
Para Rúben Monteiro, o sucesso da iniciativa reside precisamente na autenticidade das pessoas e na forma como recebem quem visita a aldeia. Mais do que um evento cultural, o festival é uma experiência humana marcada pela proximidade e pelo sentimento de pertença.
Ao longo dos três dias, a programação combinará música tradicional, animação de rua, gaitas-de-foles, concertos intimistas e propostas contemporâneas, mantendo a identidade que tornou o D’Onor uma referência no panorama cultural da região.
Entre os principais destaques do cartaz deste ano figuram Edmundo Inácio, Kumpania Algazarra e DJ Omiri, artistas que prometem animar as noites do festival numa fusão entre sonoridades tradicionais e contemporâneas.
Uma das novidades da edição de 2026 será precisamente o encerramento da emblemática Ronda das Adegas com um concerto no lado espanhol da aldeia, reforçando o simbolismo de um evento que faz da cooperação entre comunidades a sua principal marca distintiva.
O cenário natural onde decorre o festival constitui outro dos seus maiores atrativos. Inserida em pleno Parque Natural de Montesinho, Rio de Onor oferece uma paisagem singular, onde o rio, a floresta e a arquitetura tradicional criam um ambiente de rara beleza que atrai visitantes de várias regiões de Portugal e Espanha.
O crescente reconhecimento do festival reflete-se também na procura turística. O parque de campismo da aldeia já regista reservas provenientes de cidades como Madrid, Porto, Zamora e Sanábria, antecipando uma forte afluência durante o evento.
Depois de ter recebido cerca de oito mil visitantes na edição anterior, seis mil dos quais apenas durante o dia da Ronda das Adegas, o Festival D’Onor regressa com o maior orçamento da sua história, na ordem dos 30 mil euros. Ainda assim, a organização sublinha que o verdadeiro motor do evento continua a ser o envolvimento da comunidade local.
Mais do que um festival, o D’Onor afirma-se como uma celebração da identidade raiana, da cultura popular e da capacidade das pequenas aldeias em preservar tradições e construir pontes entre povos, tornando Rio de Onor um dos mais autênticos destinos culturais do verão transmontano.
Jornalista: Edgar Pereiro com Lusa
Foto: DR

















