O futuro do helicóptero do INEM sediado em Macedo de Cavaleiros voltou a gerar debate político e institucional, na sequência das declarações da ministra da Saúde sobre uma possível reorganização nacional dos meios aéreos de emergência médica. Apesar das incertezas levantadas, o presidente da Câmara Municipal garante ter recebido a confirmação de que o equipamento se manterá no concelho.
Sérgio Borges afirmou, não estar preocupado com uma eventual deslocalização do helicóptero, sublinhando as garantias transmitidas pelo gabinete da ministra da Saúde, Ana Paula Martins.
“Não me preocupa, porque o gabinete da ministra deu-me a garantia de que, tendo em conta a situação do nosso helicóptero e recordo que no segundo semestre de 2025 foi o que mais saídas realizou, não será fácil chegar a esse ponto”, referiu o autarca.
Na semana passada, a ministra da Saúde admitiu que os quatro helicópteros do INEM atualmente sediados em Macedo de Cavaleiros, Viseu, Évora e Loulé poderiam vir a ser deslocados para o litoral do país, nomeadamente para unidades hospitalares do Porto, Coimbra, Lisboa e Faro. Nesse cenário, as atuais bases passariam a funcionar como estruturas de “retaguarda logística”, deixando de assegurar a permanência permanente dos meios aéreos no território.
O autarca de Macedo de Cavaleiros esclarece, contudo, que a hipótese lhe foi apresentada como uma possibilidade futura e não como uma decisão iminente. “É uma hipótese que se coloca, mas não para já, não para estes próximos anos”, afirmou, acrescentando ter recebido a garantia de que “não é uma questão para avançar”.
O helicóptero do INEM sediado em Macedo de Cavaleiros assegura a cobertura aérea do distrito de Bragança e de zonas limítrofes do Norte do país, operando ininterruptamente 24 horas por dia.
A discussão ganhou igualmente expressão política com a reação dos deputados do Partido Socialista eleitos pelo círculo de Bragança, que manifestaram oposição a qualquer alteração do atual modelo.
Em comunicado os parlamentares consideram que uma eventual saída do helicóptero e a transformação da base numa unidade de retaguarda “viola o acordo estabelecido em 2016 entre os 12 municípios do distrito de Bragança, a Administração Regional de Saúde do Norte e o INEM”, que assegurava a manutenção do meio aéreo com todos os recursos necessários ao seu funcionamento.
A deputada Júlia Rodrigues alertou ainda para as consequências operacionais da medida, sublinhando que a eficácia do sistema de emergência médica no Nordeste Transmontano depende da rapidez de resposta. “A concretizar-se, esta decisão é, do ponto de vista técnico e operacional, de uma irracionalidade geográfica evidente”, afirmou.
Os deputados socialistas defendem que a eventual deslocalização agravaria a vulnerabilidade das populações do interior, devido ao aumento dos tempos de resposta em territórios marcados pela baixa densidade populacional e pela complexidade geográfica.
Apesar da contestação política, o presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros mantém confiança na continuidade do helicóptero no concelho, sublinhando as garantias já transmitidas pelo Governo e remetendo qualquer alteração para um horizonte ainda não definido.
A Redação com Lusa
Foto: Canal N

















