Os factos vistos à lupa- Uma parceria com o Instituto +Liberdade (maisliberdade.pt)

Portugal mantém-se entre os países desenvolvidos onde abastecer um automóvel custa mais caro e representa um maior esforço financeiro para as famílias. Os dados mais recentes da plataforma Global Petrol Prices revelam que, a 18 de maio de 2026, o país tinha o 11.º preço médio mais elevado da gasolina 95 entre as 36 economias mais avançadas do mundo, segundo a classificação do Fundo Monetário Internacional, considerando apenas países com mais de um milhão de habitantes.

O preço médio da gasolina 95 em Portugal situava-se nos 2,3 dólares por litro, um valor bastante acima do registado em vários países desenvolvidos. Em Espanha, por exemplo, o preço médio era de 1,8 dólares por litro, enquanto nos Estados Unidos se fixava nos 1,3 dólares. No Japão, o valor rondava os 1,1 dólares e, na China, os 1,4 dólares por litro. Entre as maiores economias da União Europeia, apenas França apresentava um preço ligeiramente superior ao português, enquanto a Alemanha registava um valor um pouco mais baixo.

No entanto, o peso dos combustíveis não depende apenas do preço por litro. O impacto real nas famílias está diretamente relacionado com os rendimentos médios de cada país. Quando se analisa o esforço necessário para abastecer 40 litros de gasolina 95, Portugal sobe ainda mais no ranking e passa a ocupar a quinta posição entre os países desenvolvidos onde este encargo representa uma maior fatia do rendimento mensal médio.

Segundo os dados analisados, abastecer 40 litros em Portugal correspondia a cerca de 3,8% do rendimento mensal médio. Apenas Grécia, Letónia, Croácia e Hungria apresentavam um esforço superior. Em comparação, o peso do abastecimento era significativamente mais reduzido em Espanha e França, onde equivalia a cerca de 2,5% do rendimento mensal. Na Alemanha, o esforço baixava para 2%, enquanto no Japão representava apenas 1,6%. Nos Estados Unidos, onde os combustíveis continuam relativamente baratos face aos salários médios, abastecer 40 litros correspondia a apenas 0,7% do rendimento mensal.

Os números mostram que Portugal continua a enfrentar um problema estrutural de poder de compra. Apesar de não liderar a tabela dos preços absolutos dos combustíveis, os salários médios mais baixos fazem com que o impacto no orçamento das famílias seja significativamente mais pesado do que em grande parte das economias desenvolvidas. O custo dos combustíveis acaba assim por refletir não apenas os preços internacionais da energia, mas também as diferenças de rendimento e capacidade financeira entre países.

André Pinção Lucas e Juliano Ventura

26 de maio de 2026

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