O projeto mineiro da Borralha, em Montalegre, deu mais um passo no processo de preparação da futura exploração de tungsténio com a criação de uma Comissão de Acompanhamento e Observatório Social que reúne moradores, associações locais, entidades públicas e representantes da academia, numa estrutura que pretende assegurar a participação direta da comunidade nas decisões ligadas à atividade mineira.
A iniciativa foi anunciada pela empresa Minerália Minas, Geotecnia e Construções, responsável pelo projeto de exploração subterrânea da mina da Borralha, antiga exploração mineira encerrada em 1986 e considerada, durante décadas, um dos principais centros de extração de volfrâmio em Portugal.
Segundo a empresa, a nova comissão pretende funcionar como um “canal permanente de escuta, monitorização, diálogo e ação conjunta”, num modelo de participação comunitária que descreve como pioneiro em Portugal no setor mineiro.
A estrutura integra representantes da Câmara Municipal de Montalegre, Junta de Freguesia de Salto, Escola de Ciências da Universidade do Minho, baldios locais, bombeiros, associações culturais e desportivas, agricultores e moradores da aldeia mineira da Borralha.
O projeto da mina da Borralha recebeu, em janeiro, um parecer favorável condicionado da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), ficando sujeito à apresentação de estudos complementares, programas de monitorização ambiental e ao cumprimento de várias medidas de mitigação durante as fases de construção e exploração.
Uma das principais preocupações levantadas durante o período de consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental esteve relacionada com os recursos hídricos, nomeadamente com a captação de água para abastecimento público na barragem da Venda Nova, situada a jusante da exploração mineira.
Em resposta às preocupações ambientais, a Minerália garante que a futura exploração utilizará um sistema de água “100% reciclada”, sem recurso à captação em rios, barragens ou aquíferos naturais.
De acordo com a empresa, o processo assentará na reutilização, em circuito fechado, da água acumulada ao longo de décadas nas galerias subterrâneas inundadas da antiga mina. A água será tratada e reaproveitada continuamente no processo industrial, sem descargas para o ambiente.
A empresa defende que esta solução segue práticas modernas da indústria mineira internacional, reduzindo a pressão sobre os recursos hídricos naturais e permitindo maior controlo ambiental da atividade.
O projeto mineiro da Borralha surge numa altura em que o tungsténio volta a ganhar importância estratégica no contexto internacional, sendo utilizado em setores ligados à indústria militar, munições e equipamentos de defesa.
A Redação com Lusa
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