O Movimento Cultural da Terra de Miranda (MCTM) saudou a decisão do Governo de avançar com a Estrutura de Missão para a Promoção e Defesa da Língua Mirandesa, no mesmo dia em que foram oficialmente nomeados os comissários responsáveis por este novo organismo.
Em comunicado, o movimento cívico considera que a decisão governamental “é merecedora de aplauso” e sublinha que a criação desta estrutura representa um primeiro passo concreto na resposta à necessidade de preservação e promoção do mirandês, língua reconhecida oficialmente em Portugal desde 1999.
“O MCTM foi a primeira entidade a defender a criação de um Instituto Público do Estado dedicado à preservação e promoção da Língua Mirandesa, pelo que estamos convictos de que esta Estrutura de Missão constitui um passo inicial nesse caminho”, refere a organização.
O movimento destaca ainda positivamente a opção do Governo de alargar o Conselho Consultivo da nova estrutura a entidades relevantes do meio cultural e académico, considerando a medida um sinal de abertura e de reconhecimento da diversidade de contributos necessários à salvaguarda do mirandês.
Apesar do apoio manifestado, o MCTM sublinha que é “imperativo” que a Estrutura de Missão seja verdadeiramente inclusiva, tanto na sua governação como nos processos de avaliação e na ação concreta no território. Defende igualmente que o Conselho Consultivo deve assumir um papel ativo e efetivo, não se limitando a uma função meramente protocolar, mas participando de forma substantiva no acompanhamento dos trabalhos desenvolvidos.
O comunicado alerta ainda para a necessidade de dotar a Estrutura de Missão de meios materiais e financeiros adequados à dimensão da sua responsabilidade, lembrando que a sobrevivência da língua mirandesa enfrenta desafios estruturais. “Sempre dissemos que as principais causas do perigo de extinção do mirandês são o alheamento do Estado e a falta de união à sua volta. Esta Estrutura de Missão pode ser uma oportunidade única para superar esses obstáculos”, sublinha o movimento.
O MCTM garante que continuará atento ao desenvolvimento dos trabalhos e disponível para colaborar, defendendo que este processo represente mais do que um mero ato administrativo. “É essencial que este seja o impulso decisivo para que a Língua Mirandesa permaneça viva e com futuro”, acrescenta.
De acordo com despacho publicado ontem em Diário da República, o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto nomeou Alfredo Cameirão, presidente da Associação de Língua e Cultura Mirandesa, como comissário da Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa. Foram igualmente designados como subcomissários Duarte Martins e Suzana Ruano. A estrutura ficará sediada em Miranda do Douro.
A Redação, com Lusa
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