Álvaro Santos participa na Semana Europeia das Regiões e Cidades para debater o papel da mobilidade na atratividade dos territórios. Entre 2021 e 2025, a região Norte ganhou mais de 187 mil habitantes, mas o envelhecimento, a habitação e o acesso a serviços continuam a desafiar o interior.
A mobilidade, a habitação e o acesso a serviços essenciais vão estar no centro do debate que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR NORTE) leva a Bruxelas, a 14 de outubro, numa sessão da Semana Europeia das Regiões e Cidades 2026 dedicada à capacidade dos territórios para atrair e fixar população.
A participação do presidente da CCDR NORTE, Álvaro Santos, acontece num momento de mudança demográfica na região, que ganhou mais de 187 mil habitantes entre 2021 e 2025, um crescimento de 5,2%. Pela primeira vez, as oito sub-regiões do Norte registaram aumentos populacionais, incluindo territórios do interior historicamente marcados pela perda de habitantes.
A sessão, subordinada ao tema “Overcoming Barriers to the Right to Stay: How Transport Connectivity Affects the Attractiveness of a Territory” (Ultrapassar os obstáculos ao direito de permanecer: como a conectividade dos transportes influencia a atratividade de um território), reunirá representantes da Comissão Europeia, responsáveis políticos e especialistas de várias regiões europeias.
O objetivo é discutir como a mobilidade e a acessibilidade podem contribuir para criar condições que permitam às pessoas permanecer nos territórios onde vivem, trabalham e desenvolvem os seus projetos de vida.
TRÁS -OS-MONTES E ALTO DOURO TAMBÉM REGISTAM CRESCIMENTO
Os dados demográficos revelam sinais positivos para o interior transmontano e duriense. Entre 2021 e 2025, a sub-região do Alto Tâmega e Barroso cresceu 1,8%, acompanhando a tendência de recuperação populacional do Norte. A comunidade intermunicipal, que integra Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar, tem como prioridade estratégica atrair e reter população.
Também Terras de Trás-os-Montes e Douro registaram crescimento populacional no período em análise, segundo os dados da CCDR NORTE. A evolução representa uma mudança face a décadas de perda de habitantes em vários territórios do interior, mas não elimina os desafios demográficos acumulados.
A recuperação foi impulsionada sobretudo pela componente migratória. Entre 2021 e 2025, o Norte registou um saldo migratório positivo de 235,2 mil pessoas, que compensou o saldo natural negativo. Em 83 dos 86 municípios da região, o saldo migratório foi positivo, e todas as sub-regiões registaram um aumento da população entre os 25 e os 64 anos.
Apesar destes indicadores, o envelhecimento da população, a renovação geracional e a diferença entre nascimentos e óbitos continuam a colocar pressão sobre os territórios de baixa densidade.
É neste contexto que a mobilidade assume particular importância para comunidades como o Alto Tâmega e Barroso, Terras de Trás-os-Montes e Douro. As ligações entre localidades, centros urbanos, polos de emprego e serviços de saúde, educação e apoio social podem influenciar a qualidade de vida e a capacidade de fixar residentes.
CRESCIMENTO DO EMPREGO NÃO CHEGA PARA GARANTIR FIXAÇÃO
Os indicadores económicos também apontam para uma evolução positiva. Segundo o relatório Norte Conjuntura, citado pela CCDR NORTE, a região criou mais 37,2 mil empregos no segundo trimestre de 2026, face ao período homólogo. A população empregada aumentou 2,1% e a taxa de desemprego recuou para 5,7%.
No mesmo período, o salário médio mensal líquido atingiu 1.289 euros, com um crescimento real de 3,7%, acima dos 3,3% registados a nível nacional.
O crescimento do emprego teve expressão territorial alargada: o emprego registado na Segurança Social aumentou nas oito sub-regiões e em 80 dos 86 municípios, enquanto o desemprego registado diminuiu em todas as sub-regiões e em 76 municípios.
Ainda assim, a CCDR NORTE considera que a criação de emprego, por si só, não garante a permanência da população.
“Não basta criar emprego para fixar população. Precisamos de garantir habitação, mobilidade, acesso a serviços e qualidade de vida em todo o território”, afirma Álvaro Santos.
O responsável acrescenta que o crescimento demográfico recente demonstra a capacidade de atração do Norte, mas também aumenta a responsabilidade de criar condições para que as pessoas escolham ficar.
HABITAÇÃO, TURISMO E QUALIDADE DE VIDA NA AGENDA
A reflexão que a CCDR NORTE levará a Bruxelas dá continuidade à defesa de políticas públicas ajustadas às diferentes realidades territoriais.
Na abertura da 1.ª Cimeira Nacional do Alojamento Local, realizada no Porto, Álvaro Santos defendeu uma abordagem diferenciada às políticas de habitação, turismo e alojamento local, salientando que os desafios dos grandes centros urbanos não são os mesmos das cidades de média dimensão ou dos territórios de baixa densidade.
Segundo o presidente da CCDR NORTE, enquanto algumas zonas enfrentam pressões sobre a habitação, noutras o desafio passa por criar atividade económica, recuperar casas, atrair investimento e trazer novos residentes.
O responsável destacou também a importância de fazer chegar os benefícios do crescimento turístico a territórios como o Douro, o Minho e Trás-os-Montes, transformando os fluxos turísticos em oportunidades de desenvolvimento regional.
Esta perspetiva cruza-se com o conceito europeu de Right to Stay — o direito de permanecer —, que estará no centro da sessão: criar condições para que as pessoas possam viver, trabalhar e desenvolver os seus projetos nos territórios onde escolhem permanecer.
Na sessão de 14 de outubro, em Bruxelas, Álvaro Santos integrará o painel dedicado aos desafios territoriais, juntamente com representantes do Piemonte, em Itália, e da região polaca de Lubuskie.
O programa inclui ainda uma intervenção de Marcos Gonzalez Alvarez, responsável pela Unidade CLIMA.B5 da Comissão Europeia, sobre o contributo do Fundo Social para o Clima. Um segundo painel, dedicado às soluções territoriais, contará, entre outros participantes, com o presidente da CCDR Centro, José Ribau Esteves, e representantes de Friuli-Venezia Giulia e da Câmara de Comércio de Teruel.
A participação pretende cruzar experiências regionais e instrumentos europeus em torno de uma questão central para o futuro do Norte e, em particular, do interior: como transformar o crescimento demográfico e económico em melhores condições de vida, reforçando a mobilidade, o acesso à habitação e aos serviços e a capacidade de fixar população em todo o território.
Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR




















