O dia 1 de janeiro é o primeiro dia de cada ano e, desde 1968, por iniciativa do Papa Paulo VI, é celebrado como o Dia Mundial da Paz. Num tempo de incerteza global, pertencer à União Europeia (UE) significa não estar sozinho. É partilharmos riscos, responsabilidades e soluções. A integração europeia não nos retirou soberania, pelo contrário, deu-nos a segurança necessária para exercer a nossa autonomia num mundo complexo.

Em tempos tão controversos, em que a paz é ameaçada em várias geografias, o dia 1 de janeiro de 1986 marca uma das grandes viragens históricas de Portugal: há precisamente 40 anos, o país tornou-se membro pleno da Comunidade Económica Europeia (CEE), o embrião da atual UE. Esta adesão não foi um ato isolado, mas parte de décadas de construção iniciadas após a Segunda Guerra Mundial, consolidadas em 1957 com o Tratado de Roma.

Portugal ainda à procura de rumo depois do 25 de Abril, jovem em democracia, frágil economicamente e com profundas carências estruturais entrou na CEE. A candidatura apresentada em 1977 era, acima de tudo, um pedido de pertença: à estabilidade, à modernidade e ao espaço das liberdades tão almejadas como se pode sentir na letra da música “Portugal na CEE” dos GNR.

Nesse momento, a Europa foi mais do que um mercado comum: foi um porto seguro político e um acelerador de transformação.
Quarenta anos depois, os resultados são visíveis. Infraestruturas antes impensáveis. Para muitas regiões interiores, a Europa foi a diferença entre abandono total e sobrevivência com dignidade.

Contudo, a reflexão que se impõe hoje é outra. Já não se trata apenas de avaliar o que ganhámos com a Europa, mas de perguntar como soubemos transformar essa oportunidade em desenvolvimento equilibrado.

O interior de Portugal beneficiou da Europa, mas não convergiu como devia. Ganhou acessos, mas perdeu pessoas. Recebeu apoios, mas faltou estratégia. Em muitos casos, os fundos europeus foram usados para compensar fragilidades imediatas, em vez de as transformar estruturalmente. Construímos estradas sem conseguir fixar população. Apoiámos a agricultura através da PAC, vital para o rendimento de milhares, mas expusemos a nossa dependência de subsídios e a dificuldade em criar valor acrescentado e inovação geracional. O problema nunca foi a Europa, mas sim a forma como, internamente, organizámos as prioridades.

Portugal já não é o país de 1986. No entanto, o interior continua a ser tratado como periferia, quando devia ser central na estratégia nacional: central pela sua capacidade agrícola, ambiental e energética; central pela sua identidade e pela coesão social.

Este aniversário não deve ser apenas comemorativo. A pergunta não é se valeu a pena aderir, sabemos que vale! A verdadeira questão é: estamos a usar a Europa para mudar o país ou apenas para o manter em funcionamento? Os próximos anos serão decisivos.

A adesão à CEE continua a ser uma âncora de estabilidade e oportunidade. Mas o futuro não se recebe por decreto; constrói-se com visão nacional, coesão territorial e coragem política. Pois vejamos, a decisão, quase irreversível de fragilizar a distribuição diária de jornais através da VASP, num tempo que exige mais informação e não menos, lembra-nos um erro antigo: o abandono da ferrovia nos anos 90. Em ambos os casos, optou-se por soluções aparentemente racionais a curto prazo, mas profundamente penalizadoras a médio e longo prazo. Num país desigual e envelhecido, especialmente no interior, retirar acesso à imprensa escrita é afastar pessoas da informação, do debate público e da vida democrática. Num mundo que se diz digital, a proximidade continua a ser física, regular e acessível e quando desaparece, o território fica mais pobre e vulnerável.

O abandono do interior será, a médio prazo, um fardo pesado para Portugal e para as gerações futuras.

Antigamente, povoar o território não era um favor, mas uma decisão estratégica: garantir segurança, fortalecer a soberania e assegurar o desenvolvimento das regiões mais remotas. Hoje, décadas de desinvestimento, despovoamento e descuido representam a inversão perigosa desse princípio histórico, afastando pessoas, oportunidades e futuro, deixando vastos territórios vulneráveis. Se queremos construir o futuro que prometemos, é preciso políticas audazes, visão estratégica e coragem política, retomando a prioridade que dos que sempre compreenderam que o interior não é periférico, é central para Portugal!

Artigo escrito por Cristina Passas

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