“A doença vascular cerebral (…) seca a fonte de onde brota o pensamento, ou perturba o rio por onde ele se escoa, e assim é difícil, se não impossível, explicar aos outros como se dissolve a memória, se suspende a fala, se embota a sensibilidade, se contém o gesto.” Prof. João Lobo Antunes

O Dia Nacional do Doente com Acidente Vascular Cerebral (AVC), assinalado ontem, dia 31 de março, é uma data de extrema importância para a sensibilização da população sobre o AVC, uma das principais causas de morte e incapacidade em Portugal.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o AVC continua a ter um peso muito significativo na mortalidade nacional. Em 2024, as doenças cerebrovasculares estiveram na origem de cerca de 9.007 mortes, representando aproximadamente 7,6% do total de óbitosem Portugal. Já em 2022, registaram-se 9.616 mortes por AVC, correspondendo a 7,7% da mortalidade total. A taxa de mortalidade situou-se em cerca de 86,7 mortes por 100 mil habitantes, evidenciando o impacto persistente desta patologia.

Além disso, estima-se que o AVC afete cerca de 25 mil portugueses por ano, o que equivale a aproximadamente três novos casos por hora, sendo responsável por cerca de 10 mil mortes anuais. Estes números reforçam a dimensão deste problema de saúde pública.

Este dia pretende não só prestar apoio e reconhecimento às pessoas que vivem com as consequências de um AVC, mas também reforçar a importância da prevenção, que continua a ser a forma mais eficaz de reduzir o impacto desta doença.

O AVC ocorre quando há uma interrupção do fluxo sanguíneo para o cérebro, podendo resultar em danos permanentes. Apesar da sua gravidade, muitos dos fatores de risco estão associados ao estilo de vida e podem ser controlados. Entre os principais fatores encontram-se a hipertensão arterial, o tabagismo, o sedentarismo, a obesidade, a diabetes e níveis elevados de colesterol.

A vertente preventiva assume, por isso, um papel fundamental. A adoção de hábitos saudáveis pode reduzir significativamente o risco de ocorrência de um AVC. Uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes e pobre em sal, a prática regular de atividade física, a cessação do tabaco e o controlo médico regular são medidas essenciais. Além disso, é crucial monitorizar a pressão arterial e manter um acompanhamento adequado de doenças crónicas.

Outro aspeto importante da prevenção é o reconhecimento precoce dos sinais de alerta, os “3 Fs” do Acidente Vascular Cerebral são uma forma simples e eficaz de reconhecer rapidamente os sinais de alerta e agir com urgência;

F – Face – Desvio de um dos lados da face. 

F – Fala – Dificuldade em falar, discurso arrastado ou incompreensível. 

F – Força – Fraqueza, adormecimento ou paralisia na face, membros, especialmente num dos lados do corpo.

Perante qualquer um destes sinais, deve-se ligar imediatamente para o 112.

Estes “3 Fs” são uma ferramenta essencial de saúde pública porque ajudam qualquer pessoa a identificar um possível AVC e a agir sem hesitação — o que pode fazer toda a diferença entre a recuperação e a incapacidade permanente.

A rápida atuação pode salvar vidas e minimizar sequelas, tornando fundamental que a população esteja informada. Assim, o Dia Nacional do Doente com AVC não é apenas uma data comemorativa, mas um momento de reflexão e ação. Perante números tão expressivos, investir na prevenção é investir na qualidade de vida, reduzindo o impacto desta doença e promovendo uma sociedade mais consciente, informada e saudável.

Artigo escrito por Carla Barroso Reis, membro da Associação de Profissionais de Saúde do Alto Tâmega (APSAT)

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