Tony da Silva nasceu em França, mas assume-se como transmontano da cabeça aos pés. Amigo do seu amigo, trabalhador e dedicado, fez a formação como jogador no afamado Paris Saint Germain, o que lhe permitiu encarar o futebol profissional com as ferramentas necessárias para ter sucesso. Fez uma carreira muito interessante como jogador nos campeonatos português e romeno, onde ao serviço do Cluj chegou à Liga dos Campeões.
Com o treinador fez o seu “caminho das pedras” até chegar, no último verão, ao comando da seleção do Mali,uma das dez melhores de África e das cinquenta melhores do mundo.
O Tony tem feito a sua carreira como treinador a “pulso” alternando a recolha de conhecimentos entre os camposprático e teórico. Destaque maior vai para o “mundo” que ganhou no exercício da função de formador no continente africano. Sempre em busca da valorização, os três anos como adjunto de António Conceição na seleção dos Camarões permitiram-lhe operacionalizar, ao mais alto nível, todo o conhecimento absorvido.
Tony da Silva estreou-se na seleção maliana com duas vitórias em jogos oficiais e um empate no particular com o super-Marrocos. Entrou em grande, com resultados que foram consequência de um meticuloso trabalho de preparação e uma aposta total na competência e no mérito. Basta ver que não teve receio de apostar num jovem de 17 anos para titular. Quando os alicerces do projeto sãopreparados com cuidado, fica menos difícil chegar às vitórias. Mister Tony, que continue a ter sucesso.
Por cá, a nossa seleção encantou no relvado com as quatro vitórias conquistadas nos quatro jogos realizados, a contar para a fase de grupos da Liga das Nações.
Mas a qualidade de jogo, dentro das quatro linhas, contrastou com o espetáculo mediático criado pelas “desavenças” entre o selecionador Jorge Jesus e o capitão Cristiano Ronaldo, com a Federação Portuguesa de Futebol pelo meio.
Fica a ideia, neste processo, que todos ralham, mas quanto à razão, pedia-se contenção aos intervenientes. A Federação, o selecionador e o capitão devem dar o exemplo, devem ser guias para outras entidades, treinadores e jogadores. Devem assumir o papel de referência para todos os seguidores do futebol, principalmente os mais jovens.
O “lavar” de roupa suja não os dignifica, ficando a ideia de que a estrutura de comando está “coxa”. No meio de presidente, dirigentes, treinadores e jogadores, etc… faltou alguém com legitimidade, história, conhecimento, peso e acima de tudo, que fosse respeitado por todos os envolvidos. Numa estrutura de um clube falaríamos de um diretor-geral ou diretor-desportivo… numa seleção, independentemente do nome cargo, falta quem possa unir as pontas, quem possa, minuto-a-minuto, fazer com que o barco não se desvie do rumo certo.
André Veras















