A qualquer nível, em qualquer setor de atividade, é na “formação” que assenta a sustentabilidade do futuro.
No desporto não é diferente. É até mais urgente.
E escrever sobre formação desportiva é “arriscado”.
Porque é aqui que assenta a maior parte dos subsídios institucionais atribuídos às coletividades.
Nomeadamente os dos municípios.
E porque, convenhamos, nem sempre são supervisionados como deviam.
Mesmo sem pensar em títulos ou em pódios, o investimento na formação desportiva deveria ser a responsabilidade número um de qualquer clube.
Sobretudo nos tempos que correm.
Numa época em que os valores éticos, educativos, sociais, morais e até religiosos andam desvirtuados,
e em que a saúde global nem sempre é bem tratada,
a prática desportiva regular ao longo da vida faz falta.
Com particular relevo na adolescência e na juventude.
É nesta fase de crescimento mais acentuado e evolutivo que se ganha corpo, cabeça e caráter.
A prática desportiva, bem orientada, dá competências práticas e teóricas.
Dá disciplina. Dá pertença. Dá saúde.
E os efeitos positivos prolongam-se. Atravessam a vida de forma transversal.
Vem isto a propósito da pouca atenção que algumas coletividades dedicam, hoje, às atividades formativas.
Haverá desleixo. Haverá falta de vontade para levar por diante uma política assertiva e justa.
Falo da distribuição de subsídios autárquicos e institucionais.
Hoje parece contar mais o resultado do sénior do que o número real de miúdos a treinar.
Conta mais a equipa que joga ao “domingo” do que a escola que forma durante a semana.
Se atendermos ao número de coletividades que se apresentam a competir com equipas seniores
sem nunca, ou quase nunca, terem investido na formação de atletas,
é fácil concluir: algo não funciona bem nas nossas estruturas desportivas.
E não funcionou no passado.
E dificilmente funcionará no futuro, se nada for feito para inverter.
A culpa será, sobretudo, da as câmaras municipais.
E das associações também.
Para que um clube se apresente em competição com uma equipa sénior,
deviria ser “obrigatória” a aposta na formação.
E os subsídios institucionais a receber deviam depender diretamente dos projetos de formação implementados.
Mas como é sobejamente conhecido, a situação regional neste âmbito deixa muito a desejar.
Há casos em que as “escolas de futebol” existem só no papel.
Cumprirão aspetos formais para justificar processos legais.
O departamento de formação é tratado como o parente “pobre” da coletividade.
A preocupação fundamental é uma:
Apresentar no horário previsto uma equipa sénior a competir.
Melhor ou pior, conforme os desafios.
Porém, um clube só tem futuro sustentável se o investimento
material, técnico, logístico e de recursos humanos
incidir, prioritariamente, na componente formativa.
Sem formação não há clube. Há montra.
Sem miúdos a a aprender a prática da modalidade, não há futuro. Há resultado de fim de semana.
E o desporto merece mais do que isso.
Nuno Pires



















