Os factos vistos à lupa- Uma parceria com o Instituto +Liberdade (maisliberdade.pt) com o Canal N



Em 2025, Portugal manteve a 18.ª posição entre os 27 Estados-membros da União Europeia em PIB per capita, medido em paridade de poder de compra. Segundo as estimativas do Eurostat, o país passou de 82% para 81% da média comunitária, registando uma ligeira divergência face à UE.

Esta evolução merece atenção porque ocorre num contexto relativamente favorável para a economia portuguesa. A guerra na Ucrânia continuou a penalizar várias economias concorrentes da Europa de Leste, o turismo manteve uma forte dinâmica em Portugal e poderão existir efeitos estatísticos associados à subestimação da população imigrante residente no país. Mesmo assim, Portugal não conseguiu aproximar-se da média europeia.

A trajetória das últimas duas décadas mostra um padrão preocupante. Em 2000, Portugal ocupava a 15.ª posição entre os Estados-membros da União Europeia, situando-se a meio da tabela europeia. Ao longo da década seguinte, foi perdendo terreno de forma gradual, até chegar ao 18.º lugar em 2010, num período marcado por crescimento económico reduzido e perda de dinamismo face a outras economias europeias.

Entre 2010 e 2015, Portugal manteve-se essencialmente na mesma posição relativa. A crise financeira internacional e a crise da dívida pública condicionaram fortemente a economia portuguesa, travando o investimento, o crescimento e a capacidade de convergência. A segunda metade da década trouxe novos sinais de fragilidade. Entre 2015 e 2020, o país voltou a perder posições, chegando ao 20.º lugar na sequência do impacto da pandemia, ao mesmo tempo que várias economias da Europa de Leste, que aderiram à União Europeia apenas em 2004, continuavam a crescer a ritmos mais elevados.

Nos anos mais recentes, entre 2020 e 2025, Portugal recuperou ligeiramente, regressando ao 18.º lugar, posição que mantém há três anos consecutivos. Mas essa recuperação não altera a tendência de fundo. Hoje, Portugal está abaixo da posição que ocupava no início do século e foi ultrapassado por economias como Malta, Chéquia, Eslovénia e Lituânia.

O balanço é claro: apesar de melhorias pontuais, Portugal continua sem consolidar um processo sustentado de convergência real com a União Europeia. Mais do que oscilações anuais, o problema está na dificuldade persistente em crescer ao ritmo necessário para recuperar terreno face aos parceiros europeus.

André Pinção Lucas e Juliano Ventura

29 de abril de 2026

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