O Tribunal de Vila Nova de Foz Côa decretou a prisão preventiva do cidadão francês Cédric Prizzon, de 42 anos, fortemente indiciado pela prática de dois crimes de homicídio qualificado, alegadamente cometidos contra a antiga e a atual companheira, encontradas na Serra da Nogueira, em Bragança. A medida de coação inclui ainda a proibição de contacto com os filhos menores.
De acordo com a decisão judicial, o suspeito é acusado dos homicídios de Audry Cavallier e Angela Cadillac, bem como de dois crimes de profanação de cadáver. Ao ex-elemento da Gendarmerie Nationale são ainda imputados crimes de sequestro, violência doméstica contra a filha menor, falsificação de documentos e detenção ilegal de arma.
O arguido foi ouvido durante várias horas no tribunal e ficará detido no Estabelecimento Prisional da Guarda. O inquérito é conduzido pelo Ministério Público de Mêda.
A detenção ocorreu na terça-feira, numa operação da Guarda Nacional Republicana (GNR) em Mêda, durante uma ação de fiscalização rodoviária, em flagrante delito por falsificação de documentos e posse de arma ilegal. No veículo seguiam os dois filhos do suspeito, um rapaz de 12 anos e uma bebé de um ano e meio, que foram encontrados em segurança. O homem tinha ainda na sua posse cerca de 17 mil euros em numerário, segundo informações da Polícia Judiciária.
Face aos indícios recolhidos, a Polícia Judiciária mobilizou equipas de investigação criminal e de polícia científica do Departamento de Investigação Criminal da Guarda. A análise de risco apontou para a forte possibilidade de um duplo homicídio, cenário que viria a confirmar-se na manhã de quarta-feira.
Os corpos das duas vítimas foram encontrados enterrados numa zona isolada da Serra da Nogueira, nas proximidades da cidade de Bragança, numa operação acompanhada pelo procurador titular do processo.
Segundo informações avançadas por meios de comunicação social franceses, citando a AFP, as duas mulheres estavam desaparecidas desde sexta-feira na região de Aveyron, no sul de França. As autoridades francesas acompanham o caso e admitem enviar investigadores para Portugal, enquanto a Procuradoria de Montpellier assumiu a investigação no país de origem.
O suspeito, ex-polícia e antigo jogador de râguebi, encontrava-se atualmente desempregado e já tinha antecedentes relacionados com a guarda dos filhos. Em 2021, terá levado ilegalmente o filho mais velho para Espanha, onde permaneceu várias semanas. Participou também em ações de protesto em França, incluindo uma greve de fome e manifestações relacionadas com processos de regulação parental.
A investigação prossegue para o apuramento de todos os contornos do caso, que envolve autoridades portuguesas e francesas.
A Redação com lusa
Fotos: DR

















