O Santuário Rupestre de Panóias e outros locais históricos do distrito de Vila Real vão passar a integrar uma rede digital de património, no âmbito do projeto “Pannonias Digital Old Lands: History, Cultural Heritage and Rural Landscapes”, iniciativa que pretende valorizar e dinamizar cerca de 20 sítios de interesse histórico através de tecnologias avançadas.

Os trabalhos já estão em curso em Panóias, no lugar do Assento, na União de Freguesias de Constantim e Vale Nogueiras, onde equipas de investigadores recorrem a drones e scanners de alta precisão, incluindo tecnologia 3D, laser e infravermelhos, para realizar levantamentos digitais detalhados do local.
Segundo o arqueólogo Gerardo Vidal Gonçalves, da Associação de História e Arqueologia de Sabrosa, entidade promotora do projeto, o objetivo é “integrar o património cultural com as humanidades digitais”, criando novas formas de conhecer e interpretar os vestígios históricos.
Em Panóias estão a ser realizados levantamentos LIDAR e fotogramétricos, permitindo criar modelos digitais extremamente detalhados das cavidades e inscrições gravadas na rocha.
Algumas dessas inscrições são difíceis de identificar a olho nu, pelo que os investigadores recorrem a scanners de infravermelhos para revelar detalhes invisíveis. Os dados recolhidos permitirão desenvolver animações e conteúdos interpretativos, ajudando os visitantes a compreender melhor o significado das inscrições e dos rituais associados ao local.
“Digitalizar para preservar e valorizar” é uma das premissas do projeto, que pretende simultaneamente reforçar a vertente turística, educativa e comunitária do património.

Um santuário romano único no antigo Império

O santuário de Panóias é um dos mais importantes vestígios religiosos da época romana em Portugal. No local conservam-se três grandes fragas talhadas na rocha, com escadas e cavidades destinadas a rituais de sacrifício animal, bem como um conjunto notável de inscrições com instruções litúrgicas dedicadas a divindades como Serápis e Ísis.
Segundo Jorge Sampaio, coordenador do santuário e representante do Património Cultural, I.P., uma das particularidades do sítio é o facto de uma das quatro inscrições conservadas estar parcialmente escrita em grego e parcialmente em latim, algo raro no contexto do antigo Império Romano.
O complexo terá sido mandado construir entre os séculos II e III pelo senador romano Caius Calpurnius Rufinus, e distingue-se pela monumentalidade e pelo elevado grau de conservação.
Além de Panóias, o projeto vai abranger vários locais históricos nos concelhos de Sabrosa, Alijó e Murça, territórios que, no passado, integravam a antiga Terra de Panóias.
Entre os espaços incluídos estão a necrópole medieval das Touças, a capela de Roalde, os castros de Palheiros e do Pópulo e pontes romanas situadas em Alijó e Murça.
No âmbito da iniciativa, o Polo Arqueológico de Garganta, em Sabrosa, será adaptado para acolher uma sala imersiva que permitirá aos visitantes explorar o património através de tecnologia digital.
Nesse espaço, um guia virtual em forma de druida irá apresentar os locais históricos e a sua contextualização, recorrendo a uma linguagem acessível e a ferramentas interativas.

Realidade virtual, hologramas e visitas digitais

O projeto prevê ainda o desenvolvimento de uma aplicação móvel que permitirá realizar visitas virtuais aos diferentes sítios e aceder a conteúdos históricos detalhados.
Entre os recursos tecnológicos previstos estão óculos de realidade virtual, hologramas e animações, incluindo representações históricas, como soldados romanos a construir uma ponte em Murça.
Serão também organizadas atividades turísticas e educativas, percursos culturais, visitas guiadas e workshops destinados a diferentes públicos.
Uma das vertentes do projeto passa pela criação de réplicas de peças históricas à escala, permitindo que pessoas com limitações físicas ou visuais possam ter contacto direto com o património.
Para a arqueóloga Dina Pereira, também da Associação de História e Arqueologia de Sabrosa, a iniciativa será importante para divulgar a história local e incentivar sobretudo os mais jovens a valorizar as suas raízes.
O projeto “Pannonias Digital” deverá estar concluído em meados de 2027 e conta com um investimento de cerca de 380 mil euros, financiado em 75% pelo Turismo de Portugal, no âmbito da iniciativa Linha + Interior Turismo.
Através da conjugação entre arqueologia, tecnologia e turismo cultural, a iniciativa pretende reforçar a valorização do património histórico do interior do país e criar novas formas de o tornar acessível ao público.

A Redação com Lusa
Fotos: DR

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